O 16º Concred reforçou uma mudança de perspectiva no cooperativismo financeiro. A discussão já não está centrada apenas na adoção de novas tecnologias, mas na capacidade de transformar inovação em resultados concretos para cooperados e organizações.
A avaliação é de Rodrigo Junqueira, CEO da Nexum, que acompanhou os debates do congresso e identificou uma agenda de prioridades para os próximos anos. Nesse novo cenário, a inteligência artificial ganhou protagonismo entre os temas considerados mais urgentes para a evolução das cooperativas.
Para Junqueira, o debate evoluiu além da implementação tecnológica. “Na minha percepção, alguns temas deixaram claramente de ser tendência para se tornar prioridade imediata. O primeiro é a IA, mas não simplesmente como adoção de ferramentas. O debate do Concred avançou para como redesenhar o trabalho, preparar as pessoas e usar a IA com supervisão humana, governança e responsabilidade”, aponta o executivo.
Segundo ele, o ponto de partida não deve ser a tecnologia em si. O primeiro passo é começar pelo processo e pelo problema, não pela tecnologia. “Antes de discutir qual IA utilizar, a cooperativa precisa identificar qual desafio prioritário pretende endereçar.” Na sua visão, o objetivo é liberar as equipes de tarefas operacionais para ampliar sua capacidade de análise, relacionamento e tomada de decisão.
Dados e Open Finance ampliam oportunidades
Outra prioridade destacada pelo executivo é transformar a proximidade histórica com o cooperado em inteligência capaz de gerar experiências mais relevantes. Nas cooperativas, a proximidade sempre desempenhou um papel fundamental. Nesse contexto, a tecnologia vem para ampliar a proximidade, e não para substituí-la.
A evolução do Open Finance reforça esse desafio. “Não basta ter acesso a mais informações. É preciso saber por que aquele dado está sendo utilizado, quem responde por ele, qual a sua qualidade e que decisão ele está ajudando a tomar.” Segundo Junqueira, competitividade dependerá menos do volume de informações e mais da capacidade de convertê-las em decisões melhores.
Escala por cooperação e novas lideranças
Diante de tais desafios, a intercooperação se apresenta como um caminho para ampliar a escala tecnológica sem comprometer a identidade das cooperativas. Para competir em escala, especialmente em tecnologia e infraestrutura, as cooperativas não precisam fazer tudo sozinhas.
Junqueira avalia que a transformação digital passa por mudanças culturais e de gestão. “A tecnologia evolui muito rapidamente; nenhuma organização consegue acompanhar esse ritmo apenas comprando ferramentas. É preciso preparar lideranças, desenvolver novas competências e criar uma cultura que aceite testar e aprender”, complementa.
Para ele, as prioridades se conectam. “A cooperativa preparada para o futuro não será necessariamente a que tiver mais tecnologia, mas a que conseguir combinar eficiência, dados confiáveis, pessoas preparadas e proximidade com o cooperado.”












