Todo início de ano, antes mesmo de o ritmo das colheitas se impor, o agronegócio brasileiro já está em movimento. Entre fevereiro e o começo do segundo trimestre, cooperativas de diferentes regiões do país realizam grandes eventos que se consolidaram como alguns dos mais relevantes do mundo em difusão de tecnologia, inovação e conhecimento aplicado ao campo. Mais do que feiras, esses encontros se tornaram espaços estratégicos onde o agro se encontra para trocar experiências, tomar decisões e apontar os rumos da safra e do próprio setor ao longo do ano.
Esses eventos cumprem um papel que vai além da exposição de máquinas ou soluções. Eles funcionam como um ambiente de convergência entre produtores, gestores cooperativistas, pesquisadores, indústria, startups e sistema financeiro. É ali que a inovação deixa o discurso e ganha forma prática, onde tendências globais são traduzidas para a realidade da lavoura brasileira e onde decisões importantes passam a ser tomadas com mais segurança, informação e visão de longo prazo.
O protagonismo das cooperativas nesse processo é um dos grandes diferenciais do agro brasileiro. Responsáveis por organizar parte expressiva da produção nacional, elas atuam como verdadeiras engrenagens do sistema produtivo, oferecendo crédito, assistência técnica, acesso a mercados, armazenagem, comercialização e, cada vez mais, conhecimento. Ao promoverem eventos dessa magnitude logo no início do ano, as cooperativas ampliam seu papel estratégico, democratizando o acesso à inovação e reduzindo riscos para o produtor rural.
Não por acaso, mais da metade da produção agropecuária brasileira passa, direta ou indiretamente, pelas cooperativas. Em um setor que representa mais de 20% do PIB nacional e que, em 2024, movimentou cerca de R$ 2,7 trilhões, a capacidade de organizar pessoas, informações e decisões se tornou um ativo essencial. Já no primeiro trimestre de 2025, mesmo diante de desafios climáticos em algumas regiões, o agro voltou a mostrar força, com crescimento superior a 6%, reforçando sua relevância econômica e social.
É nesse contexto que o conceito “Agro Conecta” ganha sentido. O agronegócio se afirma como elo entre campo e cidade, produtor e consumidor, pesquisa e prática, produtividade e sustentabilidade. Nos grandes eventos cooperativistas, essa conexão se materializa de forma concreta: tecnologias são testadas, práticas sustentáveis são discutidas com base em dados, soluções financeiras são apresentadas e o diálogo entre diferentes elos da cadeia se fortalece.
Além do impacto direto nos negócios — muitos desses eventos reúnem centenas de milhares de visitantes e movimentam bilhões de reais em poucos dias — há um efeito menos visível, porém igualmente relevante. Esses encontros influenciam decisões que moldam o ano agrícola, orientam investimentos, estimulam a adoção de novas práticas e fortalecem a competitividade do Brasil no cenário internacional. Delegações estrangeiras e investidores encontram ali um retrato fiel de um agro moderno, organizado e cooperativo.
No fim, os grandes eventos do primeiro trimestre funcionam como uma grande assembleia do agronegócio brasileiro. Um espaço onde o setor se reconhece, debate seus desafios, compartilha conhecimento e constrói soluções coletivas. Em um mundo cada vez mais exigente em relação à produção de alimentos, sustentabilidade e eficiência, o cooperativismo mostra, na prática, sua capacidade de conectar pessoas, ideias e resultados.
É essa lógica de cooperação que sustenta o crescimento do agro brasileiro e reforça seu papel como motor econômico e social do país. Um agro que se fortalece quando se encontra, que avança quando compartilha e que cresce, de forma consistente, quando conecta e coopera.
Luis Cláudio Silva é Sócio-Fundador da MundoCoop com adaptações da MundoCoop












