Não se fala em outro assunto. É indiscutível que a Geração Z tomou conta das manchetes sobre mercado de trabalho. Esse grupo carrega consigo características únicas, que foram moldadas pela vivência em um mundo digitalizado. Eles possuem todas as informações – literalmente – na palma da mão. São exigentes e contam com estilos diversos. Compreender e se adaptar a isso é algo complexo para gestores e a indústria, em geral, mas também representa uma oportunidade de evolução.
A Geração Z é composta por pessoas que nasceram entre meados dos anos 1990 e 2010. Com acesso a um clique, esses indivíduos se tornaram ambiciosos, decididos e, com expectativas elevadas, tendem a valorizar a autenticidade. Por mais que oferecer uma flexibilidade aos níveis exigidos por esse público seja uma tarefa difícil, as empresas que aprenderem a lidar com isso estarão melhor posicionadas em um mercado impulsionado pela inovação.
Um dado que revela esse desafio é que 60% dos empregadores admitiram ter demitido funcionários da Geração Z contratados recentemente, segundo uma pesquisa da Resume Genius. Isso gerou uma crescente discussão sobre por que muitos jovens enfrentam dificuldades para manter os empregos. É fácil atribuir esse fenômeno a estereótipos geracionais, como preguiça ou imaturidade, mas o problema ultrapassa o pré-conceito. Em primeiro lugar, é preciso analisar as dificuldades dessa geração com o ambiente de trabalho tradicional para entender os porquês.
Diferente dos Millennials, que muitas vezes abraçam a cultura “workaholic”, se dedicam e se identificam fortemente com as próprias carreiras, a Geração Z adota a filosofia do “eu não sou meu trabalho”. Eles buscam um equilíbrio entre vida pessoal e profissional e estão dispostos a lutar por condições justas e uma melhor qualidade de vida. Em paralelo a essas novas perspectivas, recursos inéditos foram adicionados à experiência profissional. A inteligência artificial (IA) está se consolidando como uma ferramenta essencial para as novas gerações.
De acordo com um estudo do Google Workspace, 82% dos jovens adultos em cargos de liderança já utilizam a IA nas rotinas. Além disso, 93% da Geração Z relataram usar duas ou mais ferramentas de IA semanalmente para otimizar tarefas. Essas pessoas estão acostumadas a usar a tecnologia para lidar com atividades desafiadoras e o impacto positivo do recurso já é comprovado – 86% dos entrevistados acreditam que ela pode ajudar líderes a se tornarem gestores mais eficazes.
Para as empresas, aplicar mudanças como essa a processos feitos de forma tradicional significa um esforço contínuo em adaptação, políticas e culturas organizacionais, além de investir em escuta ativa e personalização, para manter a conexão com essa nova força de trabalho. Entretanto, é exatamente essa diversidade de pensamentos, experiências e habilidades que representa uma oportunidade valiosa para inovar e se destacar em um cenário competitivo, que, por sua vez, acompanha as transformações desse público.
A comunicação não pode ser unidirecional. É fundamental considerar as preocupações e aspirações da Geração Z e estar disposto a adaptar-se a elas. Isso envolve não apenas a implementação de políticas de trabalho flexíveis, mas também a criação de uma cultura que valorize a multiplicidade – o que se traduz em uma relação empática entre gestor e colaborador.
Conectar-se de forma eficaz com a Geração Z requer uma abordagem específica. Com a extrema diversidade, típica dessa era, os líderes devem estar dispostos a pensar em novas abordagens para atender às necessidades individuais dos profissionais. Manter a mente aberta é a chave nesse processo.
Ao compreender e atender às demandas dessa geração, as empresas podem criar ambientes de trabalho mais inclusivos, inovadores e produtivos. Isso não apenas beneficiará a esse grupo específico, mas também contribuirá para o sucesso a longo prazo das companhias. É necessário lembrar: essas serão as pessoas majoritárias no trabalho, muito em breve. Garantir as respectivas satisfações é sinônimo de assegurar um ecossistema corporativo sustentável.
*Danilo Mazuquin é CEO da Mazukim