Os anos de 2024 e 2025 marcaram um período de forte transformação no Sistema Financeiro Nacional, especialmente para as cooperativas de crédito. A adoção da norma contábil IFRS 9 trouxe uma nova forma de registrar riscos, tornando as demonstrações financeiras mais seguras e transparentes. Ao mesmo tempo, o setor incorporou mudanças no marco legal com a Lei Complementar 196/2022 e a Resolução CMN 5.131/2024, que atualizaram a organização e a governança das cooperativas. Nesse mesmo ambiente regulatório, ganhou força o Fit and Proper, conjunto de critérios do Banco Central que estabelece a dirigentes e conselheiros requisitos de competência, experiência e idoneidade. Tudo isso é bem-vindo, pois reforça a solidez e a confiança no modelo cooperativo.
Antes de seguir, vale lembrar de onde o cooperativismo veio e por que ele faz tanta diferença. O movimento surgiu em 1844 como uma alternativa mais humana e colaborativa diante dos desafios sociais e econômicos da época, e desde então é guiado por princípios que nos diferenciam das empresas tradicionais. Esses princípios foram sendo atualizados ao longo do tempo, sempre preservando seu espírito original, e hoje são regidos e cuidados pela Aliança Cooperativa Internacional (ACI). Essa base forte nos permitiu chegar preparados a temas contemporâneos, como o ESG, que o cooperativismo já praticava na essência muito antes de virar tendência. Iniciativas como o PDGC, o ESGCoop e o RECIP mostram evolução contínua e reforçam uma característica que é nossa marca registrada: uma governança responsável, organizada e conectada com o futuro.
Na Unicred Vale, avançamos em todas essas frentes, estruturando comitês que fortalecem a qualificação profissional e trazem mais transparência às nossas decisões. Enquanto a figura do conselheiro independente segue em debate, os comitês de Riscos, Negócios, ESG e Comunicação já estão em plena operação, contando com a participação de conselheiros e especialistas externos e, assim, ampliando nossa capacidade técnica e estratégica.
Para acelerar esse movimento, intensificamos também a formação de lideranças, com acompanhamento especializado e o foco em construir um conselho cada vez mais preparado e de alto impacto. Nesse contexto, surgiu outro avanço importante que tive a oportunidade de liderar: formar desde já futuros conselheiros e jovens lideranças. Foi assim que nasceu o projeto Coopera Futuro, com o objetivo de comunicar o que acontece na cooperativa, desenvolver pessoas e fortalecer a cultura cooperativista.
Um grupo de cooperados participou de encontros de capacitação sobre governança, riscos, ESG e atuação em conselhos, aprendendo e contribuindo com insights que ampliam e aprimoram as possibilidades de participação na cooperativa. O grupo foi formado por 11 cooperados, com diversidade de perfis: seis mulheres, a maioria da área da saúde, muitos já com experiência em gestão, e idades entre 35 e 61 anos – sendo sete deles abaixo dos 50.
A Lei Complementar 196/2022, citada no início deste texto, eliminou a obrigatoriedade de manter um Conselho Fiscal nas cooperativas de crédito. Nesse contexto, o Coopera Futuro cumpre um papel equivalente ao oferecer transparência, formar futuros conselheiros e fortalecer o entendimento sobre a governança da cooperativa.
Como coordenador dessa jornada, registro a satisfação em ver essa construção coletiva ganhar forma. Trata-se de uma iniciativa pioneira, que prepara potenciais conselheiros antes mesmo de sua eleição e reforça um ponto essencial para nós: o cooperado está no centro de tudo, e sua participação ativa é o que sustenta a evolução e o sucesso do nosso modelo.
Seguimos avançando, com a convicção de que o futuro se constrói com as escolhas de hoje.
Edson Tafner é 2º presidente da Unicred Vale












