As mais de mil cooperativas agropecuárias brasileiras movimentam R$ 438,2 bilhões por ano, empregam 268 mil trabalhadores e respondem por 53% da produção nacional de grãos. Com esse peso na economia, o setor opera, em grande parte, com sistemas de gestão genéricos, adaptados, não construídos para a realidade cooperativista.
É para preencher essa lacuna que a Solterra Soluções Inteligentes desenvolveu o ST7 COOP, sistema de gestão empresarial com inteligência artificial nativa, 27 módulos integrados e foco exclusivo nas cooperativas do agronegócio. Segundo levantamento conduzido junto à empresa americana referência mundial em banco de dados e tecnologia empresarial, a pedido da própria empresa, não existe nenhum software com o mesmo escopo no mundo.
“Desde 1993, quando vi um produtor rural que não tinha mais nada para economizar na fazenda, a não ser tirar a alimentação da vaca, eu soube que precisava criar uma ferramenta para ligar o que ele faz dentro da porteira até a saída da cooperativa”, diz Luis Carlos Crema, CEO da Solterra. Advogado, contador e empresário com 33 anos de atuação, Crema passou três décadas atendendo cooperativas em todo o Brasil antes de materializar o projeto. “As cooperativas ficaram à margem da evolução tecnológica. A contabilidade cooperativa precisa ser feita duas vezes, uma vez como qualquer empresa e outra de forma cooperativista. O ST7 COOP resolve isso de uma vez só.”
Um sistema com DNA cooperativo
Diferente dos sistemas disponíveis no mercado, o ST7 COOP foi estruturado desde a origem para a gestão de uma sociedade cooperativa, com os regramentos jurídicos e contábeis do setor já embutidos no código. O núcleo do sistema é o chamado “ato cooperativo”, o mecanismo que rastreia, para cada associado, a parcela que ele contribuiu para a cooperativa. Essa funcionalidade, central na legislação cooperativista brasileira, é tratada como adaptação em sistemas genéricos; no ST7 COOP, é a base de toda a arquitetura.
Os 27 módulos estão organizados em quatro blocos: Cooperado, Governança e Gestão, Mercado360°, Aplicações Específicas. O produto pode ser implantado em servidores próprios ou em nuvem, e é compatível com diferentes bancos de dados. “O produtor associado é ao mesmo tempo o dono, o fornecedor, o cliente e muitas vezes o gestor. O ST7 COOP dá condições ao gestor de dirigir as atividades atendendo esses três aspectos”, afirma Crema.
O produtor rural na linha de frente da reforma tributária
A transição do agro para uma era digital deixou de ser tendência e passa a ser imperativo em 2026, segundo levantamento do Sistema OCB nacional, que identificou sete movimentos tecnológicos com impacto direto na gestão e na competitividade das cooperativas agropecuárias, com a rastreabilidade liderando o processo, pressionada por consumidores que exigem transparência desde o plantio até o consumidor final.
A Reforma Tributária coloca mais pressão sobre o setor. A partir de janeiro de 2027, entra em vigor a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), tributo que unifica o PIS e Cofins dentro da nova estrutura tributária, inserindo o produtor rural no circuito de tributação pela primeira vez. “Se integrarmos do produtor rural até a cooperativa, só com a reforma tributária estamos falando de uma economia de cerca de 20% em tributos”, explica. Sem esse nível de controle, a Solterra estima perdas de R$ 265 mil para cada R$ 1 milhão transacionado.
O ST7 COOP responde a essa demanda com dois módulos. O Módulo do Produtor Rural capta os documentos fiscais, faz a parametrização da operação e gera o faturamento e o imposto de forma autônoma e automática, integrando tudo à cooperativa a qual o produtor é associado. Já o Gestão Comercial 360 mostra ao produtor, em tempo real, que operar pela cooperativa tem vantagem por ser sócio, e que ele participará dos resultados ao final do período. “O produtor não quer saber como o sistema funciona por dentro. Ele quer encontrar o café dele, saber quanto vai produzir, quanto vai gastar. O sistema entrega isso”, resume Crema.
Inteligência artificial para tomar decisão no campo
A implantação é faseada e por áreas, começa pelos módulos contábeis, fiscais e produtores rurais, seguindo com outros módulos a escolha da cooperativa, para que as operações da cooperativa não sejam interrompidas durante a transição. O sistema segue as exigências da Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD) e opera com painéis de monitoramento de segurança tanto em ambiente on-premises quanto em nuvem.
O ST7 COOP conta com inteligência artificial própria, denominada IA-ST7, que permite ao gestor solicitar relatórios e executar tarefas por comandos de voz, automatizar cotações de compra e projetar cenários de crescimento. Em uma das aplicações registradas, a IA analisou os dados de uma cooperativa com faturamento de R$ 5 bilhões e, ao simular o caminho para chegar a R$ 15 bilhões em três anos, indicou a construção de uma indústria de etanol como rota. “A cooperativa pode pedir ao sistema qualquer informação e ele responde. É uma inteligência que aprende com o negócio.”
Fonte: Kasane












