O agronegócio brasileiro registrou 1.990 pedidos de recuperação judicial em 2025, alta de 56,4% em relação a 2024, segundo dados da Serasa Experian divulgados nesta segunda-feira, 9. O número é o maior da série histórica, iniciada em 2021.
O levantamento considera três perfis de agentes do setor: produtores rurais pessoa física, produtores rurais pessoa jurídica e empresas ligadas ao agronegócio.
Quando analisado o período completo da série, o avanço é ainda mais significativo. Entre 2021 e 2025, o número de pedidos de recuperação judicial no agro cresceu 931,6%.
Segundo Marcelo Pimenta, head de agronegócio da Serasa Experian, as condições financeiras enfrentadas ao longo de 2025 continuaram pressionando a capacidade de pagamento de parte dos produtores.
“O ambiente de crédito mais restritivo, combinado à manutenção de custos elevados de produção e a uma alavancagem elevada, continuou impactando o fluxo de caixa das operações rurais”, afirmou Pimenta.
A distribuição geográfica dos casos mostra que os pedidos se concentram principalmente em estados com forte produção de grãos. Mato Grosso aparece na liderança nacional, com 332 solicitações, seguido por Goiás (296) e Paraná (248).
Na sequência estão Mato Grosso do Sul (216), Minas Gerais (196) e São Paulo (189). O grupo dos dez estados com maior número de solicitações inclui ainda Rio Grande do Sul (159), Santa Catarina (59), Tocantins (55) e Pará (49).
Os dados revelam a predominância de dois grandes polos do agronegócio brasileiro. O Centro-Oeste, responsável por cerca de 47% da produção de grãos do país, reúne três dos quatro estados com mais pedidos de recuperação judicial — Mato Grosso, Goiás e Mato Grosso do Sul — todos fortemente ligados à produção de soja e milho.
Já a região Sul aparece com destaque em razão do peso das cadeias integradas de grãos, carnes e cooperativas agrícolas, representadas por Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina. Juntas, as duas regiões concentram a maior parte das recuperações judiciais registradas no setor ao longo de 2025.
RJ no agro
A análise por perfil mostra que o crescimento dos pedidos de recuperação judicial não ocorre de forma homogênea dentro do agronegócio.
Os produtores rurais que atuam como pessoa física (PF) responderam pelo maior número de solicitações no ano. Foram 853 pedidos em 2025, contra 566 em 2024, o que representa uma alta de 50,7%, segundo a Serasa.
Na comparação com o início da série histórica, a expansão é ainda mais intensa. Entre 2021 e 2025, os pedidos feitos por produtores pessoa física aumentaram cerca de 6.462%, indicando uma adesão crescente ao mecanismo judicial por produtores individuais.
Entre os produtores organizados como pessoa jurídica (PJ), também houve avanço expressivo. O número de pedidos passou de 409 em 2024 para 753 em 2025, um crescimento de 84,1% na comparação anual.
No acumulado da série histórica, o salto também é relevante: entre 2021 e 2025, as solicitações feitas por produtores pessoa jurídica cresceram aproximadamente 918%.
Já as empresas com atuação relacionada ao agronegócio — que incluem companhias de insumos, logística, processamento e serviços — registraram 384 pedidos de recuperação judicial em 2025, ante 297 no ano anterior, uma alta de 29,3%.
Embora menor do que nos demais grupos, o crescimento ao longo da série histórica também é significativo. Entre 2021 e 2025, os pedidos de recuperação judicial dessas empresas avançaram cerca de 262%.
Fonte: Exame com adaptações da MundoCoop












