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MundoCoop - Informação e Cooperativismo

Cooperativas agroindustriais mostram caminhos para uma agricultura de baixo carbono

Práticas sustentáveis e regenerativas fortalecem segurança alimentar e resiliência climática

Mundo Coop POR Mundo Coop
22 de novembro de 2025
AGRONEGÓCIO
Cooperativas agroindustriais mostram caminhos para uma agricultura de baixo carbono

Cooperativas agroindustriais mostram caminhos para uma agricultura de baixo carbono

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O terceiro dia de atividades da COP30 na Agri Zone voltou a destacar o cooperativismo como protagonista em soluções para a crise climática. No painel Agricultura de baixo carbono: caminho para sistemas alimentares sustentáveis e resilientes, cooperativas brasileiras apresentaram experiências que integram produtividade, preservação ambiental e inclusão social, pilares da agricultura de baixo carbono. 

O debate reuniu representantes da Lar Cooperativa Agroindustrial (PR), Coasa (RS), Camta (PA) e contou com a presença de Carlos Venâncio, coordenador de Cooperação para o Desenvolvimento Sustentável do Ministério da Agricultura (Mapa); e Camila Rodrigues, Secretária Executiva no Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), sendo mediado por Eduardo Queiroz, coordenador de Relações Governamentais do Sistema OCB.O objetivo foi discutir como o cooperativismo tem contribuído para tornar a produção agropecuária mais sustentável e adaptada aos desafios climáticos. “As coops são uma verdadeira máquina de impacto do setor produtivo brasileiro. Onde tem cooperativa, tem desenvolvimento sustentável e territorial”, destacou Eduardo. 

A Lar apresentou o Programa Lar de Sustentabilidade, reconhecido pelo Ministério da Agricultura pelos avanços em boas práticas agrícolas. O programa já avaliou 450 propriedades, certificou 20 associados com o Selo de Sustentabilidade e realizou 10 mil horas de treinamento, o que a permitiu alcançar 72% de conformidade com seus pilares, gestão de processos, gestão de propriedade, responsabilidade social e gestão ambiental. “Cada produtor certificado é um aliado da segurança alimentar e da agricultura de baixo carbono”, explicou Márcia Pessini, gerente de Gestão da Qualidade, Meio Ambiente, Inovação e Sustentabilidade da cooperativa. 

Já a Coasa, representada por Ronaldo Scariot, engenheiro agrônomo, mostrou como o trabalho cooperativo pode regenerar o solo e fortalecer a produção familiar. Com o projeto Nosso Solo, Nossa Colheita, a cooperativa desenvolveu, em parceria com a Embrapa, práticas de manejo sustentável e plantio direto, que favorecem o sequestro de carbono e a conservação dos recursos naturais. “A verdadeira riqueza de uma sociedade é a fertilidade do seu solo e a sabedoria com que o preserva”, disse Ronaldo ao sintetizar a filosofia da cooperativa.  

A experiência amazônica foi apresentada pela Camta, referência nacional em agricultura regenerativa. Desde a década de 1970, a cooperativa desenvolve o Sistema Agroflorestal de Tomé-Açu (SAFTA), que integra culturas como cacau, cupuaçu, pimenta e andiroba com espécies nativas da floresta. O modelo alia produtividade e conservação, garantindo renda e estabilidade para as famílias cooperadas. “Enquanto muitos emitem, nós armazenamos carbono em forma de vida. Diversificar é proteger o presente e garantir o amanhã”, destacou Claudio Suagya, diretor da organização. 

Contribuindo com as discussões, Carlos Ramos destacou o papel estratégico do Plano ABC+ como principal instrumento nacional de promoção da agricultura de baixo carbono. “O objetivo central é sempre melhorar a renda do agricultor e, ao mesmo tempo, entregar resultados ambientais. Na primeira fase, o plano superou a meta de 200 milhões de toneladas de CO₂ equivalente mitigadas. Na segunda, o objetivo é uma mitigação cinco vezes superior à original. 

Já Camila reforçou que os temas debatidos no painel, como cooperativismo, sistemas agroflorestais e agricultura regenerativa, estão diretamente conectados à pauta do MDA e às políticas voltadas à agricultura familiar. “Para a agricultura familiar, regenerar o solo, preservar a biodiversidade e produzir de forma equilibrada nunca foi novidade. Antes mesmo de existirem políticas de baixo carbono, nossos agricultores e agricultoras familiares já cultivavam sustentabilidade na prática”, afirmou.  

Transferência de tecnologia 

Em painel promovido pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), o presidente do Sistema Ocepar, José Roberto Ricken ao lado de lideranças da Abramilho, Abrapa, Aprofir, Aprosoja Brasil e Aprosoja Mato Grosso, representou o cooperativismo brasileiro e destacou o papel do movimento como instrumento de transferência de tecnologia e sustentabilidade no campo. “Onde existe cooperativa, há mais eficiência e inclusão: 63% dos produtores cooperados têm acesso à assistência técnica e extensão rural, contra 20% da média nacional”, pontuou. 

O dirigente reforçou que a COP30 é uma oportunidade estratégica para reafirmar o compromisso do agro brasileiro com a produção sustentável e socialmente responsável, alinhada às premissas do Manifesto do Cooperativismo para a COP30. Ele considerou também a necessidade de que a agenda climática global reconheça o verde como valor social e econômico, trate o clima como vetor de desenvolvimento e coloque as comunidades no centro das políticas de adaptação e mitigação.  

Por fim, Ricken defendeu a tropicalização dos padrões de produção sustentável, para que métricas e tecnologias globais reflitam as condições e boas práticas da agricultura tropical brasileira. “Precisamos ser valorizados pelo que já fazemos e pelo que ainda podemos fazer para fortalecer uma transição verdadeiramente justa”, afirmou.


Fonte: Sistema OCB com adaptações da MundoCoop

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