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Cooperativa paraense usa diversificação de cultura como estratégia contra oscilações de mercado

Criada por colônia de imigrantes japoneses na Amazônia, a Cooperativa Agrícola Mista de Tomé-Açu fatura mais de R$ 120 milhões em um ano

Mundo Coop POR Mundo Coop
25 de novembro de 2025
AGRONEGÓCIO
Cooperativa paraense usa diversificação de cultura como estratégia contra oscilações de mercado

Cooperativa paraense usa diversificação de cultura como estratégia contra oscilações de mercado

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Por lá, o ditado de não colocar todos os ovos numa única cesta é seguido à risca. Com mais de 200 combinações diferentes de culturas, a Cooperativa Agrícola Mista de Tomé-Açu (Camta) leva a sério a palavra diversificação. O que começou depois de uma frustração com a monocultura de pimenta-do-reino, na década de 70, segue como referência até hoje.

A Camta tem uma história de quase um século e nasceu com imigrantes japoneses que se instalaram na Amazônia. Está localizada em Tomé-Açu (PA), a aproximadamente 180 quilômetros de Belém (PA). As propriedades dos 170 cooperados marcam uma diferença em relação às outras zonas rurais das cidades da região. Isso porque, enquanto a pecuária a pasto é mais praticada pelos vizinhos, ali o que toma conta são os Sistemas Agroflorestais de Tomé-Açu (Safta). 

Imagine um condomínio de plantas, onde, em um mesmo hectare, pode haver até 15 variedades de cultivo. As opções vão desde especiarias, como pimenta-do-reino e baunilha, passando por frutas, como açaí, acerola, maracujá, pitaya, além de cacau, dendê, cupuaçu, chegando até culturas florestais, como ipê, andiroba, seringueira e mogno. Isso é o Safta.

Alberto Oppata

“Todos os cooperados têm pelo menos três culturas que são economicamente viáveis. Eu, por exemplo, me concentrei em cacau, açaí e cupuaçu”, explica o presidente da Camta, Alberto Oppata. 

Segundo o produtor, a crise da pimenta-do-reino na década motivou os cooperados a adotar o sistema. Naquela época, após uma produção recorde, as lavouras foram comprometidas com a fusariose. Somando a isso, houve uma queda nos preços. A solução foi buscar alternativas para seguir plantando. 

“Por que é importante ter essa diversidade? Primeiro, questões ambientais. E outra coisa é que o produtor precisa de renda contínua. Todo mês, a gente tem despesa. Então, precisa ter essa receita por mês”, acrescenta Oppata. 

Ele ainda cita o exemplo do cacau, a segunda cultura em importância econômica na cooperativa, atrás do açaí, que corresponde a 60% do faturamento anual. “Num patamar de US$ 3 mil a tonelada do cacau, o cooperado não tem lucro com a cultura. Então, como é que ele consegue sobreviver? É porque tem o sistema agroflorestal, com cacau e açaí. Então, se o cacau tira [paga] a despesa, sobra o açaí”, exemplifica. 

Do pé para a geladeira

Diversidade também pode ser vista no catálogo de produtos feitos pela cooperativa, que conta com uma agroindústria. A capacidade de processamento anual da fábrica é de 10 mil toneladas de matéria-prima. Cerca de 4,5 mil toneladas são de açaí, que vira polpa ou sorvete. Desse montante, 3,5 mil toneladas são exportadas, principalmente para o Japão. 

Além de polpa de açaí, a fábrica produz outras 16 variedades de polpas, e não de frutas da região. “A graviola vem do Nordeste. O morango já vem de São Paulo. Ou seja, a gente faz um escambo com o pessoal de São Paulo, por exemplo, em que a gente manda cupuaçu e troca pelo morango, porque precisa ter no cardápio”, destaca Oppata. 

Outros produtos também são comercializados pela cooperativa, como as amêndoas de cacau, a pimenta-do-reino e o óleo de andiroba. No caso do cacau, o grupo vem tentando agregar valor com o beneficiamento para produzir chocolate, ainda em caráter experimental. Já a pimenta-do-reino é quase toda exportada, especialmente para a Argentina, enquanto o óleo de andiroba é aproveitado no comércio regional. O resultado foi um faturamento na casa de R$ 120 milhões no ano passado. 


Fonte: Agro Estadão

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