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MundoCoop - Informação e Cooperativismo

Brasil define ações para reduzir agrotóxicos sem proibir defensivos

Mundo Coop POR Mundo Coop
11 de março de 2026
AGRONEGÓCIO
Brasil define ações para reduzir agrotóxicos sem proibir defensivos

Brasil define ações para reduzir agrotóxicos sem proibir defensivos

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O Comitê Gestor Interministerial do Programa Nacional de Redução de Agrotóxicos (Pronara) publicou nesta quarta-feira (4/3) uma resolução com 30 ações prioritárias a serem implementadas por diversos órgãos do governo em 2026 e 2027 com a meta de reduzir o uso dos produtos químicos na agricultura brasileira. A lista não prevê expressamente a proibição ou banimento de defensivos agrícolas, medida temida pelo setor produtivo e pela indústria após declarações recentes do ministro do Desenvolvimento Agrário, Paulo Teixeira.

Entre as ações, no entanto, estão previstas a elaboração de uma lista nacional de produtos agrotóxicos “altamente perigosos ao meio ambiente e extremamente tóxicos para a saúde” e a divulgação dos critérios adotados para isso.

Há também uma indicação para criação de “regras de proibição ao registro de agrotóxico, definindo minimamente, os critérios de risco inaceitável, de modo a assegurar que não haverá retrocesso socioambiental”.

Boa parte das ações prioritárias do Pronara está relacionada com as regulamentações da nova Lei de Agrotóxicos (14.785/2023) e da Lei de Bioinsumos (15.070/2024), que têm sido alvo de divergências dentro do governo, segundo apurou a reportagem. Na visão de um interlocutor, os textos dos decretos não avançam por resistências ideológicas em algumas alas do Executivo.

Uma fonte a par da discussão em Brasília disse que não há qualquer previsão de proibição sumária de agrotóxicos no Brasil, que o processo de reanálise manterá critérios técnicos e que o Pronara não tem atribuição para ordens executivas dessa natureza.

A competência de avaliação para registro ou cancelamento da autorização de uso desses produtos continua com os órgãos técnicos: Ministério da Agricultura, Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).

O que prevê o programa nacional

O plano de ação do Pronara é dividido em seis eixos: desenvolvimento de alternativas aos agrotóxicos; educação, formação e qualificação; informação, participação e controle social; monitoramento, integração institucional, atenção à saúde relacionada à cadeia produtiva de agrotóxicos; normatização e regulação de agrotóxicos; e medidas econômicas, financeiras e fiscais para a redução dos agrotóxicos.

“As iniciativas reúnem compromissos de diferentes ministérios para promover a saúde pública, a conservação ambiental e o fortalecimento de sistemas de produção de alimentos mais sustentáveis, resilientes e saudáveis”, informou a Secretaria-Geral da Presidência da República, que coordena o comitê.

Na parte de normatização, o comitê do Pronara prevê que Ibama, Ministério da Agricultura e Anvisa deverão “atualizar as normativas que estabelecem as exigências da reanálise de agrotóxicos garantindo a autonomia técnica dos respectivos órgãos”.

Caberá a esses entes também elaborar e implementar uma agenda regulatória de reanálise agronômica, toxicológica e ambiental, “considerando indícios da alteração dos aspectos agronômicos, dos riscos à saúde humana ou ao meio ambiente, observando as recomendações das convenções e dos acordos internacionais de banimento de produtos, com divulgação da lista de priorização de reanálise”.

Os três órgãos ainda deverão definir novos critérios de prioridade de análise de forma a agilizar o processo de registro de novos produtos de menor perigo e risco para saúde e meio ambiente, além de garantir regras de proibição de registro de agrotóxico com base em critérios de “risco inaceitável” para não ter “retrocesso socioambiental” na regulamentação da lei 14.785/2023.

O Pronara ainda quer que o Ministério da Agricultura revise a regulamentação da pulverização aérea de agrotóxicos por aeronaves e drones. O objetivo, segundo a lista, é ampliar os mecanismos de controle, “considerando o grau de risco dos produtos utilizados e da situação da ocupação territorial e ambiental da área de uso, com a definição de proibição para os casos que representem potencial de risco para a população, trabalhadores, meio ambiente e de contaminação da produção não-alvo”.

Bioinsumos e atenção à população exposta

A lista inclui ações para fortalecer a produção e uso de bioinsumos, inclusive com campanha para incentivar a adoção desses produtos. Estão previstas também a criação da Estratégia de Bioinsumos para a Agricultura Familiar, a consolidação da Rede de Inovação e Transferência de Tecnologia em Bioinsumos para Agricultura Familiar e o envio de propostas para lançamento de editais pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT) para financiamento de pesquisa e desenvolvimento de bioinsumos.


Fonte: Globo Rural com adaptações da MundoCoop

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