Pioneiro na agenda de sustentabilidade do cooperativismo brasileiro, o Sistema Ocemg deu mais um passo nessa trajetória com o lançamento do 3º Ciclo ESGCoop, realizado no dia 17 de março. A iniciativa reuniu cerca de 70 participantes na Casa do Cooperativismo Mineiro em uma dinâmica colaborativa, com debates e trocas de experiências sobre ações nos três pilares ESG – ambiental, social e governança – e foco na implementação de soluções concretas para as cooperativas.
A abertura do encontro estabeleceu a direção dos debates, com uma análise do vice-presidente do Sistema Ocemg, Samuel Flam. Ele destacou que uma atuação responsável exige operações financeiras sólidas e recordou que o conceito ESG, embora tenha sido criado há apenas duas décadas, formata princípios que já norteiam o cooperativismo desde a sua fundação. “O ESG começa dentro da nossa ética, da nossa visão de futuro. Que a gente saia deste seminário não com muitas soluções, mas com muitos desafios para criar um modelo cada vez melhor para as cooperativas e para a sociedade”.
Para transformar esses valores em prática cotidiana, a agenda ESG exige método. É nesse ponto que o assunto deixa de ser um modismo ou tendência e passa a integrar o centro da operação dos negócios cooperativos, conforme explicou a gerente de Educação e Desenvolvimento Sustentável do Sistema Ocemg, Andréa Sayar. “É responsabilidade de quem está na gestão entender o que significa os pilares ambiental, social e de governança para o seu negócio e na relação com todos os envolvidos. Isso determina a eficiência de resultados”.
O mapeamento desse cenário ocorre por meio do Diagnóstico ESGCoop, ferramenta desenvolvida pelo Sistema OCB para mensurar a maturidade das cooperativas em relação à sustentabilidade e auxiliar na definição de matrizes de materialidade para que elas implementem políticas sobre o tema. Atualmente, o levantamento é aplicado em cooperativas dos ramos agropecuário, crédito, infraestrutura, saúde e transporte. “Gradativamente, vamos desenvolvendo soluções que corroboram a prática das cooperativas por meio de programas de educação, workshops e visitas técnicas, com a tendência de ampliar para os outros segmentos”, projetou a gestora.
Pragmatismo sustentável
A abordagem prática e sem idealizações sobre o tema norteou a palestra da executiva com especializações em Harvard e Oxford Onara Lima. Ela reforçou a natureza corporativa do conceito ESG, criado pelo ex-secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU) Kofi Annan, que desafiou líderes financeiros a integrar fatores socioambientais e de governança na análise de investimentos para criar mercados mais sustentáveis. “A governança dos aspectos socioambientais não é sobre ter afinidade. São pautas intrínsecas. Sem natureza e sem pessoas, não existe negócio”, afirmou a especialista.
Onara defendeu o pragmatismo e orientou os participantes a conectarem as decisões de sustentabilidade às exigências de acesso à capital, resumindo a tática na premissa do “follow the money” (siga o dinheiro), ou seja, entender que as transformações acontecem quando estão alinhadas às fontes de financiamento e aos interesses econômicos que movem o mercado.
Ela também alertou que iniciativas socioambientais sem base íntegra perdem valor e aumentam o risco de quebra de confiança com a sociedade. “Não adianta tentar salvar o planeta e fazer projeto social sem governança. Não basta sermos conscientes se não existir ação”.
Construção coletiva
Além das palestras, os participantes tiveram a oportunidade de colocar o conhecimento em prática em uma dinâmica em grupo. Divididos em mesas temáticas sobre cada pilar do ESG, eles debateram os temas apresentados ao longo do evento e apresentaram propostas de aplicação dos conteúdos nas cooperativas.
A diretora administrativa da Unimed Circuito das Águas, Maristela Leônidas, destacou que o encontro foi uma oportunidade de afinar processos internos de sustentabilidade. “É essencial para aprender, aprimorar o que já fazemos e compartilhar boas experiências”, avaliou. “Participamos do Diagnóstico ESG em 2024 e responderemos novamente este ano, pois isso nos auxilia a identificar o que precisamos evoluir”.
No segmento financeiro, a cobrança por conformidade ESG dita o ritmo das operações. Thaís de Paula Silva, analista de Cidadania e Sustentabilidade do Sicoob Credcooper, endossou a necessidade de metodologias claras para guiar as cooperativas do ramo. “Essa pauta está diretamente ligada à nossa estratégia. Como instituição de crédito, olhar para as questões socioambientais com uma governança sólida é prioridade para nós. Um workshop como esse traz muita clareza sobre a estruturação para que as ações sejam realizadas de fato, no dia a dia”.
Fonte: Sistema Ocemg com adaptações da MundoCoop












