O desenvolvimento sustentável de São Bernardo do Campo alcançou um novo patamar em 2026, impulsionado pelo desempenho recorde das cooperativas de reciclagem locais. Entre janeiro e novembro, os esforços conjuntos da Cooperluz e da Reluz resultaram na retirada de 6.326 toneladas de materiais — como plástico, vidro, alumínio e papel — que teriam como destino o aterro sanitário. Em vez de poluírem o solo, esses resíduos foram reinseridos no setor produtivo através da reutilização.
O balanço, divulgado pela Secretaria de Meio Ambiente, Sustentabilidade e Proteção Animal, revela que a prefeitura investiu pouco mais de R$ 1 milhão no repasse às unidades. Apenas no fechamento de novembro, foram destinados R$ 111.644,81 aos 85 cooperados, reforçando o compromisso da gestão do prefeito Marcelo Lima com a valorização dos agentes ambientais.
Pagamento por Serviços Ambientais impulsiona as cooperativas
Um dos grandes diferenciais do modelo adotado em São Bernardo é o Pagamento por Serviços Ambientais (PSA). Trata-se de um instrumento inovador que remunera as cooperativas por cada tonelada de material triado e destinado corretamente. Desde junho de 2025, o valor pago por tonelada sofreu um reajuste histórico de 51%, chegando a R$ 185,96.
“Temos de valorizar o trabalho diário dos cooperados, que são verdadeiros guardiões do meio ambiente”, pontuou o prefeito Marcelo Lima. Segundo ele, o repasse não é apenas um custo operacional, mas um investimento direto no enfrentamento às mudanças climáticas e na diminuição das desigualdades socioeconômicas, já que gera renda direta para dezenas de famílias.
Impacto social: do lixão à casa própria
A história de Reginaldo Rufino dos Santos, de 68 anos, ilustra como as cooperativas transformam vidas. Atuando há 28 anos na Cooperluz, Reginaldo testemunhou a transição do antigo Lixão do Alvarenga para o sistema formalizado de reciclagem.
Natural de Pernambuco e morador de São Bernardo desde 1983, ele conta que a cooperativa foi o alicerce para a conquista de sua casa própria e para a formação profissional de seus quatro filhos. “Tenho uma vida estável e digna, tudo graças à cooperativa”, destaca o cooperado, reafirmando que o setor é um divisor de águas para quem atua na linha de frente da sustentabilidade.
Eficiência operacional em números
As duas unidades operam como o coração da coleta seletiva municipal. Somente no mês de novembro, o volume de materiais processados foi de 600 toneladas. A divisão do repasse mensal reflete a produtividade de cada entidade:
- Cooperluz: Recebeu R$ 63.425,38;
- Reluz: Recebeu R$ 48.219,43.
Inovação contra as mudanças climáticas
De acordo com o secretário adjunto de Meio Ambiente, Matheus Graciosi, a experiência do PSA destinada às cooperativas de material reciclável é uma das mais avançadas do Brasil. Ao diminuir o volume de resíduos nos aterros, a cidade reduz a emissão de gases de efeito estufa e prolonga a vida útil dos espaços de descarte, gerando economia para os cofres públicos a longo prazo.
Com o reforço nas estratégias de coleta seletiva e o reconhecimento financeiro dos trabalhadores, São Bernardo se consolida como referência em economia circular, provando que a preservação da natureza e a dignidade trabalhista caminham juntas através das cooperativas.
Fonte: ABC do ABC com adaptações da MundoCoop












