Ensinar desde cedo sobre cooperação, trabalho em equipe e responsabilidade social pode fazer a diferença na formação das futuras gerações. Esse é o propósito do Cooperjovem. A iniciativa nacional foi implantada em Minas Gerais, em 2022, ampliando o Programa de Educação Cooperativista nas Escolas, o antigo PEC, lançado pelo Sistema Ocemg em 2011. Em 2024, a ação capacitou mais de 2.300 educadores, que aplicam a metodologia em sala de aula, de forma transversal ao conteúdo de base, beneficiando diretamente mais de 20 mil estudantes do 1º ao 9º ano do Ensino Fundamental.
Para o presidente do Sistema Ocemg, Ronaldo Scucato, ensinar os princípios cooperativistas às crianças é um passo fundamental para elas crescerem comprometidas com a construção de uma sociedade mais justa e colaborativa. “O Cooperjovem forma protagonistas, crianças que aprendem desde cedo a importância da cooperação e da coletividade. Esse aprendizado se reflete em suas atitudes ao longo da vida, gerando impacto positivo para toda a sociedade”, afirma.
Educação cooperativista na prática
O Cooperjovem chegou ao Sistema Ocemg há três anos, fortalecendo a educação cooperativista no Estado. O programa é desenvolvido em parceria com cooperativas locais e Secretarias Municipais de Educação, beneficiando tanto escolas públicas quanto privadas e cooperativas educacionais.
De acordo com a Gerente de Educação e Desenvolvimento Sustentável do Sistema Ocemg, Andrea Sayar, a expansão do programa representa um avanço na formação dos alunos. “Durante a pandemia, ampliamos as ações do Programa de Educação Cooperativista nas Escolas ao aderirmos ao Cooperjovem, que já tem mais de 20 anos de história. Isso permitiu expandir nossa atuação e levar essa metodologia transformadora para mais estudantes”, explica.
O impacto do programa já pode ser visto em iniciativas como a desenvolvida pela Escola Municipal Doutor Inocente Soares Leão, em Guanhães, que tem o Sicoob Credicenm como cooperativa parceira. Lá, os alunos do 3º ano do Ensino Fundamental foram desafiados a vivenciarem uma cooperativa no dia a dia. Ao longo do ano letivo, os estudantes se organizaram para constituir duas cooperativas experimentais, a Coopemdisol e a Cooperkid, para transformar materiais recicláveis em brinquedos e jogos pedagógicos. A atividade, além de incentivar o consumo consciente, ajudou as crianças a compreender, na prática, como a cooperação pode gerar impacto social, além de contribuir para o desenvolvimento de competências, como comunicação, trabalho em equipe, liderança, resolução de conflitos e responsabilidade.
Metodologia: aprendizado prático e colaborativo
Com uma metodologia dinâmica e baseada nos valores do cooperativismo, o Cooperjovem segue formando novas gerações comprometidas com um futuro mais sustentável e solidário. Os conhecimentos adquiridos pelos professores durante a formação são aplicados em sala de aula por meio do Cooperjogo, uma dinâmica pedagógica que estimula os alunos a trabalharem juntos para alcançar uma meta coletiva. As atividades envolvem os princípios cooperativistas, incentivando a busca por soluções conjuntas, o compartilhamento de recursos e o desenvolvimento da cultura da cooperação desde cedo.
O programa é estruturado em quatro eixos de — Cooperativismo, Empreendedorismo, Finanças e Meio Ambiente — e utiliza uma abordagem interdisciplinar, permitindo que os estudantes apliquem, na prática, conceitos de diversas disciplinas que contribuirão para sua formação ao longo da vida. “Todo o processo é conduzido de forma lúdica, com atividades interativas que guiam os estudantes por cinco fases do projeto”, acrescenta Andréa. “O material de apoio é intuitivo, com identidade visual atrativa e abordagem centrada no aluno, podendo ser adaptado para plataformas digitais. Além disso, a metodologia incentiva um olhar apreciativo para o ambiente ao redor, auxiliando os jovens a enxergarem desafios como oportunidades”.
Etapas do Programa
O Cooperjovem é estruturado em cinco fases, que conduzem os alunos por uma jornada de aprendizado e cooperação:
- Preparação — Os estudantes identificam seus talentos, compreendem as regras da cooperação e organizam o trabalho coletivo, definindo papéis e acordos.
- Exploração — Por meio de um estudo do meio, analisam o ambiente ao seu redor e identificam oportunidades de transformação.
- Sonho — Definem uma meta coletiva, chamada de “sonho”, e elaboram um planejamento para torná-la realidade.
- Concretização — Colocam o projeto em prática, compartilhando responsabilidades, mobilizando parceiros e reunindo recursos.
- Comemoração — Avaliam os aprendizados, compartilham experiências e celebram as conquistas.
Bases da Educação
O Cooperjovem está alinhado às competências da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), que define as aprendizagens essenciais para cada etapa da educação básica. Além disso, o programa se conecta ao Programa de Desenvolvimento da Gestão das Cooperativas (PDGC), no critério Sociedade, e aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU. Sayar destaca que, por meio do programa, as cooperativas colocam em prática dois princípios fundamentais do cooperativismo.
“O primeiro é o 5º princípio, que trata da educação, formação e informação, estabelecendo a responsabilidade das cooperativas na capacitação de seus membros e na promoção de iniciativas educacionais para a comunidade”, detalha. “O segundo é o 7º princípio, que reforça o interesse pela comunidade, orientando as cooperativas a contribuírem para o desenvolvimento sustentável, econômico e social das regiões onde atuam”.
Ela ressalta ainda que o impacto do programa vai além da formação dos cooperados. “A capacitação ultrapassa os limites das cooperativas e se torna um instrumento poderoso para disseminar o cooperativismo. O Cooperjovem incentiva crianças e jovens a se tornarem agentes de transformação em suas comunidades, promovendo mudanças locais alinhadas ao desenvolvimento sustentável”, conclui.
Fonte: Sistema Ocemg com adaptações da MundoCoop