Estamos vivendo uma transformação silenciosa, mas profunda. Segundo o IBGE, a expectativa de vida do brasileiro chegou a 76,6 anos em 2024. Vivemos mais e, pela primeira vez na história, sete gerações podem conviver simultaneamente, compartilhando experiências, expectativas e visões de mundo. Essa realidade traz oportunidades extraordinárias, mas também exige novas formas de pensar nossas relações, escolhas e responsabilidades.
Foi a partir dessa reflexão que nasceu o livro Você entre 7 gerações, que escrevi em parceria com Marcelo Vieira Martins, diretor executivo da Unicred União. Mais do que compreender as diferenças geracionais, buscamos provocar uma reflexão sobre como construir uma sociedade preparada para viver mais e, sobretudo, conviver melhor.
Nesse cenário, o cooperativismo assume um papel especialmente relevante. Afinal, cooperar significa reconhecer que nossas escolhas não se limitam ao presente e que resultados sustentáveis são construídos coletivamente, ao longo do tempo.
Em uma sociedade marcada pelo imediatismo, talvez um dos maiores desafios seja justamente reaprender a pensar no longo prazo. E poucas filosofias traduzem tão bem esse compromisso quanto o cooperativismo, que transforma esforços individuais em conquistas compartilhadas.
Essa lógica ganha ainda mais importância diante da longevidade. Viver mais significa atravessar diferentes fases, reinventar projetos e preservar a autonomia. Significa compreender que o futuro não começa na aposentadoria, mas é construído diariamente, nas decisões que tomamos sobre nossos recursos, relações e objetivos.
É justamente nesse ponto que previdência e cooperativismo se encontram. Ambos compartilham princípios fundamentais: planejamento, responsabilidade, visão de longo prazo e compromisso com o desenvolvimento das pessoas.
Nas cooperativas de crédito, essa conexão se manifesta de maneira muito concreta. Jovens iniciando sua vida financeira, profissionais construindo patrimônio e pessoas que já chegaram à aposentadoria compartilham uma mesma estrutura coletiva, embora tenham necessidades e expectativas distintas. Essa proximidade cria oportunidades para estimular a educação financeira e previdenciária, fortalecer vínculos e ampliar a cultura do planejamento.
Mas existe outra dimensão igualmente importante: a troca entre gerações. A experiência de quem percorreu uma longa trajetória pode dialogar com a criatividade dos mais jovens. Quando essas diferenças encontram espaço para colaborar, deixam de representar distâncias e passam a gerar oportunidades.
O cooperativismo também nos ensina sobre legado. Uma decisão tomada hoje pode beneficiar pessoas que ainda nem fazem parte da nossa realidade. Essa capacidade de construir pensando nas próximas gerações talvez seja uma de suas contribuições mais valiosas para o mundo que estamos vivendo.
O verdadeiro desafio de uma sociedade que vive mais não está apenas em acrescentar anos à vida, mas em criar condições para que todas as gerações possam prosperar. E, nesse caminho, o cooperativismo nos ensina algo essencial: o futuro não é uma conquista individual. É uma construção coletiva.
*Por Denise Maidanchen, CEO da Quanta Previdência e coautora do livro Você entre 7 gerações












