Em cinco anos, uma clínica de psicologia que faturava cerca de R$ 660 mil por ano passou a movimentar mais de R$ 2,8 milhões, mais que quadruplicou a sua receita por mais de quatro, triplicou o número de psicólogos e abriu uma segunda unidade. A expansão da Psiconeuro, empresa familiar paraibana que transferiu suas operações financeiras para a Sicredi Evolução em 2021, foi acompanhada por uma relação que começou com a busca por crédito mais acessível e evoluiu para o financiamento de investimentos e a oferta de soluções financeiras para o crescimento do negócio. Hoje, a empresa reúne cerca de 65 psicólogos, dez funcionários administrativos, incorporou cinco médicos psiquiatras aos atendimentos e planeja abrir sua terceira unidade.
A trajetória da clínica é um exemplo de um movimento que ganha escala no sistema financeiro brasileiro. Em sete anos, as cooperativas de crédito dobraram de tamanho no país, ultrapassando R$ 1 trilhão em ativos e ampliando sua participação no mercado. Enquanto instituições tradicionais reduzem sua presença física em diferentes regiões, as cooperativas avançam, especialmente no interior, onde já são a única alternativa de atendimento financeiro presencial em 1.072 municípios. O setor também conquistou uma fatia de 19,3% do crédito destinado às micro, pequenas e médias empresas, consolidando-se como um concorrente cada vez mais relevante no financiamento da atividade econômica.
O avanço vai além da ampliação da oferta de serviços financeiros. Com presença em 59% dos municípios brasileiros e mais de 10,5 mil unidades de atendimento, as cooperativas contribuem para ampliar o acesso ao crédito, estimular a concorrência e apoiar o desenvolvimento de negócios locais. Em 2025, seus ativos alcançaram R$ 1,04 trilhão, crescimento de 17% em relação ao ano anterior, acima da expansão do restante do Sistema Financeiro Nacional. A carteira de crédito avançou 13,1%, enquanto as captações chegaram a R$ 834,4 bilhões, alta de 17,6%.
A expansão também aparece no número de brasileiros que optaram pelo modelo. Ao final de 2025, de acordo com levantamento do Banco Central, as cooperativas de crédito reuniam 21,2 milhões de associados, crescimento de 10,4% em relação ao ano anterior e de 55,9% nos últimos quatro anos. Dados mais recentes divulgados pelo Sistema OCB em seu Anuário, apontam que a base já alcança 22,9 milhões de cooperados.
Para a presidente executiva do Sistema OCB, Tania Zanella, o crescimento demonstra que as cooperativas passaram a ocupar um espaço cada vez mais relevante no sistema financeiro, especialmente por sua capacidade de atender públicos e regiões com diferentes necessidades. “O cooperativismo tem se consolidado como um importante agente de concorrência no sistema financeiro brasileiro. Estamos falando de instituições que oferecem os mesmos serviços, mas com uma diferença fundamental: os associados também são donos do negócio e participam dos resultados. Esse modelo fortalece a economia local, amplia as opções de financiamento e cria condições para que empresas e produtores possam crescer”, afirma.
Crédito para crescer e gerar empregos
Na Psiconeuro, o relacionamento com a Sicredi Evolução acompanhou diferentes etapas de expansão. Desde 2021, a cooperativa contribuiu para esse crescimento com linhas de crédito para substituir operações com custos mais elevados, soluções de recebimento de planos de saúde, máquinas de cartão com taxas mais competitivas e serviços de proteção patrimonial. A clínica, que inicialmente atendia cerca de 3 mil pacientes por mês, passou a registrar quase 6,5 mil atendimentos mensais e inaugurou uma unidade dedicada exclusivamente ao público infantil.
Atualmente, toda a movimentação financeira da empresa está concentrada na cooperativa, que também oferece seguros e outros serviços para o negócio e seus sócios. O relacionamento ilustra como o acesso a soluções financeiras adequadas pode acompanhar a expansão de pequenos empreendimentos e contribuir para criar condições favoráveis a novos investimentos e à geração de empregos.
Presença no interior amplia concorrência
A expansão territorial é um dos principais diferenciais do cooperativismo de crédito. Em um cenário de reorganização das redes bancárias tradicionais, as cooperativas mantêm e ampliam sua atuação em milhares de municípios, inclusive em localidades onde a oferta de serviços financeiros presenciais é limitada. Essa capilaridade permite que moradores, comerciantes, empreendedores e produtores rurais tenham acesso a serviços como crédito, investimentos, meios de pagamento e seguros sem depender exclusivamente de instituições localizadas em outros municípios.
O crescimento também se reflete na participação de mercado. Em 2025, as cooperativas responderam por 8,5% do crédito nacional, com presença ainda mais expressiva em segmentos estratégicos para a economia. No financiamento de micro, pequenas e médias empresas, a participação chegou a 19,3%. Já no crédito rural para pessoas físicas, alcançou 22%.
“Quando uma cooperativa de crédito amplia sua atuação em um município, ela contribui para diversificar a oferta de serviços financeiros e fortalecer a concorrência. Isso é especialmente importante para pequenos negócios e produtores que precisam de acesso ao crédito e de instituições que conheçam sua realidade. Como os cooperados participam dos resultados, o crescimento dessas instituições também pode gerar benefícios econômicos para os próprios associados e suas comunidades”, acrescenta Tania.
Uma agência que mudou a rotina de uma cidade
Em Queiroz, município de aproximadamente 3.366 habitantes no interior de São Paulo, a chegada de uma cooperativa de crédito representou uma mudança na rotina financeira da população. Até setembro de 2025, quando a Cresol inaugurou sua agência na cidade, moradores e empresários precisavam se deslocar até Tupã ou Marília para realizar operações financeiras presenciais. Hoje, a cooperativa é a única instituição financeira instalada no município.
Para o empresário Rodrigo Rito Fogeiro, que atua no ramo alimentício e mantém relacionamento com a Cresol, a presença da cooperativa trouxe mais praticidade para a gestão do negócio e facilitou o acesso a serviços financeiros. Acostumado ao atendimento dos bancos tradicionais, ele destaca a diferença proporcionada pelo contato direto com os profissionais da instituição. “A gente fica muito contente com a cooperativa na cidade porque ela trouxe muitos benefícios. Nunca havia trabalhado com esse relacionamento pessoal direto que ela oferece. Me surpreendi muito com a facilidade, o quanto melhorou para nós”, relata.
Segundo Rodrigo, a possibilidade de realizar operações presenciais no próprio município beneficia tanto os empreendedores quanto os moradores. “Quando preciso fazer um saque maior, é só agendar. Para a população, então, foi muito importante, porque o pessoal precisava ir a Tupã sacar dinheiro. Hoje não, hoje temos a cooperativa para dar essa força.”
A experiência de Queiroz demonstra como a expansão das cooperativas de crédito pode reduzir barreiras de acesso aos serviços financeiros, especialmente em municípios de pequeno porte. Além de facilitar a movimentação de recursos por moradores e empresas, a presença física de uma instituição contribui para aproximar o atendimento financeiro das necessidades da economia local.
Proteção financeira garante continuidade da produção
Em Vilhena, no interior de Rondônia, o produtor rural Valmir Batista encontrou no Sicoob Credisul apoio para proteger sua atividade de criação de bovinos de engorda. Cooperado há cerca de quatro anos, ele mantém relacionamento com a instituição por meio de financiamentos e soluções de proteção patrimonial.
A importância dessa parceria ficou evidente quando um forte vendaval atingiu sua propriedade e destruiu um barracão de aproximadamente 60 metros, utilizado para armazenar ração e abrigar maquinários. Poucos dias antes do episódio, o produtor havia renovado seu seguro rural, após receber orientação da equipe da cooperativa.
Com o apoio do Sicoob Credisul, Valmir acionou o seguro e encaminhou os registros dos danos para análise. Cerca de 40 dias depois, recebeu a indenização, que permitiu reconstruir a estrutura atingida e dar continuidade às atividades na propriedade, administrada com o apoio da família e de dois funcionários.
O episódio mostra como o relacionamento com as cooperativas também envolve soluções de proteção financeira capazes de reduzir os impactos de imprevistos sobre a atividade econômica. No meio rural, onde a produção está sujeita a eventos climáticos, esses instrumentos são especialmente relevantes para preservar investimentos e garantir a continuidade dos negócios.
Relacionamento de longo prazo atravessa gerações
A proximidade com os cooperados também se manifesta em situações que ultrapassam as operações tradicionais de crédito. Em Porto Alegre, o estudante de medicina Otávio Astor Vaz Costa encontrou na Unicred apoio para reorganizar sua vida financeira depois do falecimento do pai, durante a pandemia de Covid-19.
Aos 18 anos, precisou assumir responsabilidades relacionadas ao inventário e à administração de um patrimônio que ainda não conhecia. O pai, médico, já era cooperado da Unicred, que passou a orientar o jovem sobre investimentos, gestão financeira e acesso ao seguro de vida deixado para a família.
O relacionamento teve continuidade quando Otávio decidiu cursar medicina, seguindo a trajetória profissional do pai. Com o apoio da instituição, conseguiu estruturar o financiamento dos estudos sem comprometer sua segurança financeira..
“Foi muito importante para mim a Unicred nesse quesito da saúde financeira, pois eu me senti acolhido e cuidado”, afirma Otávio. Segundo ele, a atenção recebida e a disposição dos profissionais para explicar questões financeiras complexas foram determinantes para construir uma relação de confiança com a instituição.
A história ilustra uma característica importante do cooperativismo financeiro: a construção de vínculos que acompanham os cooperados em diferentes momentos da vida, com atendimento personalizado e soluções adaptadas às suas necessidades.
Crescimento exige atenção à qualidade do crédito
Apesar da expansão, o cooperativismo de crédito também enfrenta desafios. Dados do Banco Central mostram que os ativos problemáticos da carteira de crédito das cooperativas chegaram a 7,8% em 2025. O relatório também aponta desaceleração no ritmo de crescimento da carteira ao longo do segundo semestre, em um ambiente de maior pressão sobre a capacidade de pagamento dos tomadores.
Ainda assim, o segmento manteve indicadores relevantes de capitalização e resultados. O patrimônio líquido alcançou R$ 133 bilhões, enquanto o Índice de Basileia ficou em 21,4%, patamar que evidencia uma posição de capitalização robusta. O resultado das cooperativas atingiu R$ 21,1 bilhões, alta de 21,9% em relação ao ano anterior.
As captações também seguiram em expansão, com crescimento de 17,6% e volume de R$ 834,4 bilhões. A participação dos depósitos cooperativos chegou a 9,8% do sistema financeiro brasileiro.
Para o Sistema OCB, o desafio dos próximos anos será conciliar a continuidade da expansão com a qualidade das operações e a sustentabilidade financeira, preservando características como proximidade, participação dos associados e compromisso com o desenvolvimento das comunidades.
O desempenho do segmento ganha destaque às vésperas do Dia Internacional das Cooperativas de Crédito, celebrado em 15 de outubro, terceira quinta-feira do mês. Em 2026, a data tem como tema Cooperativas de crédito: um símbolo de estabilidade em um mundo de oportunidades, em referência à capacidade dessas instituições de combinar crescimento, segurança e relacionamento de longo prazo.












