As cooperativas de crédito captaram R$ 4,33 bilhões em depósitos de prefeituras brasileiras em 2025, valor 162,2% superior ao registrado em dezembro de 2021. O avanço acompanha a ampliação da relação entre o cooperativismo financeiro e o poder público municipal e já envolve 356 cooperativas, que mantêm relacionamento com 5.507 entes municipais em 2.940 cidades do país.
O movimento tem sido incentivado pelo SIstema OCB e o Sebrae, que destacam o potencial dessas operações para ampliar a circulação dos recursos dentro das próprias regiões. Ao direcionar parte dos valores das administrações municipais para cooperativas, os municípios contribuem para aumentar a disponibilidade de recursos que podem retornar à economia local por meio do crédito destinado a empresas, produtores e moradores.
A expansão também reflete mudanças recentes no ambiente regulatório. Até 2018, os recursos das prefeituras ficavam restritos, em grande parte, aos bancos oficiais. A Lei Complementar 161/2018 passou a permitir que municípios e câmaras municipais realizassem depósitos em cooperativas de crédito, abrindo uma nova frente de relacionamento entre as instituições e o setor público.
Ampliação da participação
O espaço para esse tipo de operação cresceu novamente em 2025, com a publicação da Resolução CMN 5.273. A norma ampliou os limites para a captação de recursos públicos pelas cooperativas, permitindo depósitos de até 5% do total de depósitos à vista e a prazo da instituição, ou até o limite de cobertura do fundo garantidor, prevalecendo o maior valor.
Com a mudança, as cooperativas passaram a ter maior capacidade para atender as administrações municipais e ampliar a oferta de produtos e serviços financeiros relacionados ao setor público. O relacionamento também pode alcançar servidores municipais e outros agentes vinculados às administrações locais.
Para a OCB, a principal diferença está na possibilidade de os recursos depositados voltarem a circular nas próprias comunidades. Segundo Eduardo Queiroz, gerente de Relações Institucionais da entidade, o modelo permite que os valores captados contribuam para ampliar a oferta de crédito nos territórios em que as cooperativas estão inseridas.
Esse efeito pode alcançar pequenos negócios, produtores e demais atividades econômicas locais, com reflexos sobre geração de renda, emprego e arrecadação municipal.
Recursos regionais
A presença das cooperativas de crédito também tem sido associada a indicadores econômicos superiores nos municípios atendidos. Um estudo da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), divulgado em 2023, apontou que cidades com atuação de cooperativas registram PIB médio por habitante R$ 5,1 mil superior ao observado em municípios sem a presença dessas instituições.
A capacidade de manter parte dos recursos circulando regionalmente aparece entre os principais argumentos utilizados pelo cooperativismo para ampliar o relacionamento com o poder público. Diferentemente das instituições financeiras convencionais, as cooperativas são formadas pelos próprios associados e distribuem os resultados entre seus membros de acordo com as regras definidas por cada instituição.
Na avaliação do setor, essa característica contribui para aproximar a captação de recursos da concessão de crédito e dos investimentos realizados nas próprias regiões de atuação.
Minas Gerais concentra avanço
Minas Gerais está entre os estados em que o relacionamento entre prefeituras e cooperativas de crédito mais avançou nos últimos anos. Entre 2021 e 2023, o número de municípios mineiros que operavam com cooperativas passou de 107 para 484.
No mesmo período, o volume de recursos municipais administrados pelas instituições cresceu de R$ 299,8 milhões para R$ 748 milhões, alta de aproximadamente 150%.
A presença do cooperativismo financeiro também tem peso relevante na oferta de serviços em cidades menores. Em 84 municípios mineiros, as cooperativas são a única instituição financeira com atendimento local.
Para Ronaldo Scucato, presidente do Sistema Ocemg, o modelo apresenta dois efeitos principais: a manutenção de uma parcela maior dos recursos nas próprias regiões e a ampliação da disponibilidade de crédito para atividades econômicas locais.
Potencial
Apesar do avanço dos últimos anos, ainda existe espaço para ampliar a relação entre cooperativas e administrações municipais. Cerca de mil municípios brasileiros já contam com a presença de cooperativas de crédito, mas suas prefeituras ainda não mantêm relacionamento financeiro com essas instituições.
A expectativa da OCB é que a ampliação da divulgação sobre as possibilidades previstas em lei e sobre os modelos de operação contribua para aproximar novos gestores públicos do cooperativismo financeiro nos próximos anos.
O crescimento, entretanto, depende da avaliação de cada administração municipal. A Confederação Nacional dos Municípios (CNM) afirma não dispor de estudos que comparem diretamente o retorno local de recursos aplicados em cooperativas e em bancos convencionais. Segundo a entidade, cabe aos gestores analisar as condições oferecidas por cada instituição e definir a alternativa mais adequada para a utilização dos recursos públicos em cada situação.
Por Redação MundoCoop com informações da Gazeta do Povo, Tribuna PR e Portal R23 News












