Entre trocas de experiências, aprendizado e muita cooperação, mais de 200 estudantes cooperados mirins mostraram, na última sexta-feira (2), que o protagonismo juvenil já é uma realidade no cooperativismo capixaba.
Reunidos no Sesc de Praia Formosa, em Aracruz, para o 5º Encontro Estadual de Cooperativas Mirins, os jovens compartilharam projetos, fortaleceram conexões e vivenciaram, na prática, os valores e princípios que ajudam a transformar as suas escolas e as comunidades onde vivem.
Participaram do evento membros de 10 cooperativas mirins constituídas: Cooperjetibá, Coopemcel, Coop-União, Coop-Sul, EcoCoop, CooperGav, Coop-Nair, Altercoop, CoopSaber, Cooper-Real; e uma cooperativa mirim ainda em constituição de Alfredo Chaves.
A manhã começou com uma abertura oficial realizada pelos presidentes mirins, pelo presidente do Sicoob Central Espírito Santo, Bento Venturim; pelo coordenador de Desenvolvimento Humano do Sistema OCB/ES, Marcos Passos; pelo superintendente do Instituto Sicoob, Luiz Edson Feltrim; e pela diretora de Pessoas e Sustentabilidade do Sicoob Central Espírito Santo, Sandra Helena Rosa Kwak.
O presidente do Sicoob ES, Bento Venturim, destacou a importância de aproximar as crianças e os adolescentes dos valores cooperativistas desde cedo.
“É uma grande satisfação ver este auditório reunido e tantos jovens envolvidos com o cooperativismo. Vocês representam o futuro desse movimento e a sucessão que precisamos construir para que ele continue crescendo, preservando tudo o que já foi realizado e avançando cada vez mais. Incentivar a cooperação desde a infância, adolescência e juventude é investir no futuro das comunidades”, disse Venturim.
Sob essa mesma perspectiva, a diretora de Pessoas e Sustentabilidade do Sicoob Central Espírito Santo, Sandra Helena Rosa Kwak, também ressaltou a importância de incentivar a participação dos jovens em espaços de cooperação.
“Para nós é uma alegria saber que vocês aceitaram fazer parte desse movimento, e é incrível parar para pensar que as escolhas que todos estão fazendo agora vão fazer uma grande diferença no futuro. Quando vocês planejam o que vão fazer juntos, decidem em conjunto, vocês estão aprendendo uma das habilidades mais desejadas hoje em dia e estão desenvolvendo características fundamentais para o protagonismo na sociedade”, salientou a diretora.
Em seguida, representando o Sistema OCB/ES, o coordenador de Desenvolvimento Humano Cooperativista, Marcos Passos, destacou o papel da educação cooperativista no desenvolvimento de competências que contribuem para a formação cidadã, profissional e de futuras lideranças.
“A educação cooperativista desenvolve a cultura da cooperação, bem como diversas outras competências que vão ser essenciais para vocês se tornarem grandes cidadãos e grandes profissionais. Seja dentro da cooperativa ou em outras organizações, habilidades como liderança, comunicação e relacionamento são trabalhadas ao longo do programa. Temos certeza de que isso será um diferencial fantástico para o futuro de vocês”, frisou Passos.
O superintendente do Instituto Sicoob, Luiz Edson Feltrim, ainda celebrou a conquista do Espírito Santo, que é um dos três estados com maior número de cooperativas mirins.
“O Programa Cooperativa Mirim tem um resultado que nos enche de orgulho e demonstra a força desse trabalho. O projeto, que conta com 540 estudantes, já beneficiou mais de 17,8 mil pessoas, entre crianças, adolescentes e professores, contribuindo diretamente para os ODS 4 (Educação de Qualidade), 10 (Redução das Desigualdades) e 17 (Parcerias e Meios de Implementação)”, explicou Feltrim.
Cooperação que gera resultado
Para dar início às atividades, os estudantes participaram do momento ‘Compartilhar’, uma dinâmica criada para que eles apresentassem as experiências desenvolvidas pelas cooperativas mirins ao longo deste ano.
Os presidentes das coops também dividiram as suas experiências pessoais dentro do programa, destacando como o movimento cooperativista tem contribuído para o desenvolvimento de novas habilidades na formação de jovens mais participativos e engajados com a transformação das suas comunidades.
A estudante Elizabeth Quadros do Amaral Vieira, da Coop-Sul, compartilhou como a sua trajetória na cooperativa mirim representou uma grande transformação na sua vida. “Eu acredito que a pessoa que me tornei hoje é devido, principalmente, aos programas sociais que me estimularam e me engajaram. Nas coops mirins, existe muita dedicação de profissionais qualificados, que veem alunos fragilizados e fazem eles acreditarem no seu potencial, mostrando que, de fato, você consegue e pode fazer”, relatou Vieira.
Sustentabilidade que vira música
Após o momento de abertura, os estudantes iniciaram a atividade “Sinfonia da Terra: o som do nosso cooperativismo”, conduzida pela pedagoga, atriz e arte-educadora Thais Bicalho.
Os cooperados mirins foram convidados a colocar em prática a criatividade na oficina Eco Musical. Divididos em grupos, os jovens confeccionaram instrumentos musicais a partir de materiais recicláveis, como garrafas PET, tampinhas plásticas, caixas de papelão, embalagens reutilizadas, latas e muito mais.
Juntos, os estudantes também participaram da construção de uma composição musical coletiva utilizando os conceitos da cooperação e da sustentabilidade. Logo em seguida, os grupos passaram por momentos de aquecimento, ensaios vocais e de percussão utilizando os instrumentos construídos.
De acordo com a pedagoga Thais Bicalho, a atividade foi pensada para unir educação cooperativista, expressão artística e consciência ambiental de forma participativa e divertida.
“A Sinfonia da Terra é uma dinâmica onde cada participante está aprendendo ainda mais sobre o cooperativismo e também sobre responsabilidade ambiental. Estamos trabalhando aqui a sustentabilidade quando utilizamos resíduos e, com criatividade, damos novos significados para eles. Fazemos isso de forma cooperativista, onde cada um respeita o tempo, a função do outro e, sobretudo, dá as mãos para, no final, formarmos uma grande sinfonia”, explicou Bicalho.
Por fim, os jovens se reuniram para apresentar os instrumentos produzidos, sendo eles o tambor, o reco-reco, pau de chuva, meia lua, agogô, casaca, e compartilharem as suas experiências.
Para Bernardo Stieg Coelho, aluno e diretor de Comercialização da Cooperjetibá, o encontro foi uma oportunidade de adquirir novos conhecimentos e entender mais sobre sustentabilidade.
“Tudo o que aconteceu nesse evento foi de um imenso aprendizado para a vida em sociedade, seja na escola, no trabalho ou no futuro. Para mim, um encontro como esse nunca é só mais um dia, é um espaço de conhecimento, descoberta e curiosidades. Juntos, nós conseguimos transformar vários materiais em coisas para brincar, tocar e criar, além de compartilhar elementos para ajudar outros grupos “, destacou o cooperado mirim.
Fonte: Sistema OCB/ES com adaptações da MundoCoop












