O avanço da inteligência artificial e das plataformas conversacionais tem transformado a forma como cooperativas se relacionam com seus cooperados. Em um cenário marcado pelo crescimento da base de associados, pela digitalização dos serviços e pela busca por experiências mais personalizadas, a tecnologia passa a ocupar papel estratégico na construção de relacionamentos mais eficientes e próximos.
Às vésperas do Ubots Summit 2026, que celebra os 10 anos da empresa, o CEO e cofundador Rafael Souza e o cofundador e CRO Marcos Alves compartilham suas visões sobre os desafios e oportunidades da IA no cooperativismo, além das tendências que devem moldar o futuro do relacionamento entre cooperativas e cooperados, e ainda, antecipam os temas que irão guiar esse grande encontro para o cooperativismo brasileiro.
Confira!
Evolução do relacionamento com os cooperados
O Ubots Summit 2026 marca a celebração dos 10 anos da Ubots e propõe uma reflexão sobre a evolução da inteligência artificial. Qual é a principal transformação no relacionamento entre cooperativas e cooperados ao longo dessa década? Como o Ubots Summit 2026 pretende discutir o equilíbrio entre escala digital, eficiência operacional e relacionamento humanizado?
Rafael Souza, CEO e Co-founder da Ubots: Eu destaco duas transformações. A primeira é a escala. Em 2016, as cooperativas tinham 8,7 milhões de cooperados e menos de 3% da carteira de crédito do país. Hoje são 24,1 milhões e 8% do crédito. O desafio passou a ser manter a proximidade com uma base muito maior.
A segunda é a digitalização. O celular se tornou o principal canal de relacionamento e o WhatsApp preservou a proximidade nesse processo. Os últimos dez anos digitalizaram as transações; os próximos devem digitalizar o relacionamento. Com a IA, escala e proximidade deixam de ser forças opostas.
Marcos Alves, Cofundador e CRO da Ubots: O Summit parte da mudança de comportamento dos cooperados nos últimos dez anos. A proximidade continua importante, mas hoje ela é esperada em canais digitais, especialmente no WhatsApp. A conveniência deixou de ser diferencial para se tornar requisito básico.
Nossa visão é que tecnologia e proximidade podem caminhar juntas. Quando a IA assume tarefas repetitivas, os profissionais ganham tempo para interações mais relevantes. O evento vai discutir, na prática, onde a automação gera eficiência e onde a presença humana continua indispensável.
Aplicações práticas de IA e o que esperar do Ubots Summit 2026
O Summit foi pensado para apresentar aplicações práticas de IA no relacionamento, na geração de negócios e na recuperação de crédito. O que os participantes podem esperar conhecer e discutir sobre essas soluções ao longo do evento?
Rafael Souza: O Summit foi estruturado em torno de aplicações que já entregam resultados concretos. Os debates abordarão relacionamento, geração de negócios e recuperação de crédito, sempre com foco em casos reais apresentados por quem executou os projetos.
A proposta é mostrar soluções que possam ser replicadas pelas cooperativas. Por isso, os participantes terão acesso a experiências práticas, métricas e aprendizados de organizações que já utilizam IA em suas operações.
Marcos Alves: O evento foi organizado para mostrar a evolução do relacionamento com o cooperado, as tecnologias disponíveis e exemplos de quem já está aplicando essas soluções. Casos da Viacredi e do Sicoob Nova Central ilustram como a IA pode gerar resultados em negócios e recuperação de crédito.
Na parte da tarde, cooperativas compartilharão experiências sobre relacionamento, campanhas, cobrança e geração de negócios. O foco está em projetos reais, com resultados, desafios e aprendizados que possam ser aproveitados por outras organizações.
Personalização e inteligência conversacional
Temas como jornadas resolutivas, personalização e inteligência conversacional estão cada vez mais presentes no setor, e estarão no centro desta edição do encontro. Como essas estratégias podem contribuir para fortalecer o vínculo entre cooperativas e cooperados? Quais tendências devem impactar mais fortemente a experiência do cooperado nos próximos anos?
Rafael Souza: A principal tendência é o surgimento de uma IA capaz de aprender com cada interação e atuar como um verdadeiro cérebro de relacionamento. Essa evolução será impulsionada pela integração entre inteligência artificial generativa e aplicativos de mensagens, especialmente o WhatsApp.
Quando as conversas passam a gerar memória institucional, a experiência se torna mais personalizada. O cooperado deixa de repetir informações, recebe abordagens mais relevantes e volta a ser reconhecido individualmente, mesmo em bases cada vez maiores.
Marcos Alves: O vínculo se fortalece quando a interação resolve a necessidade do cooperado, oferece uma abordagem relevante e gera aprendizado para a cooperativa. Jornadas resolutivas, personalização e inteligência conversacional atuam justamente nesses três pilares.
A IA permite concluir processos diretamente na conversa, personalizar ofertas e analisar todas as interações para identificar oportunidades de melhoria. Com isso, a cooperativa aumenta a confiança, melhora a experiência e passa a conhecer melhor seus cooperados.
Futuro da IA no cooperativismo
Ao olhar para o futuro do cooperativismo, quais sinais de mercado e movimentos tecnológicos merecem a atenção das lideranças que desejam se preparar para os próximos anos? Para as lideranças que participarão do Summit, quais os principais insights que devem ficar como legado desta edição?
Marcos Alves: Vejo quatro movimentos principais: a transição do teste para a operação efetiva da IA, a consolidação do WhatsApp como canal completo de relacionamento, a análise de 100% das interações e o fortalecimento das exigências de segurança e governança.
Para as lideranças, o caminho é começar por um problema concreto do negócio, definir metas e medir resultados. A tecnologia deve ser consequência de uma estratégia clara, e não o ponto de partida.
Rafael Souza: Minha expectativa é que as lideranças saiam do evento com ideias práticas e aplicáveis à sua realidade, entendendo o que já pode ser implementado hoje e quais tendências devem ganhar força nos próximos anos.
O objetivo é mostrar como IA e WhatsApp podem ajudar as cooperativas a crescer, aumentar eficiência e ampliar resultados sem abrir mão da proximidade com os cooperados.












