A Finlândia é frequentemente apontada como uma das maiores referências globais em cooperativismo. Mais do que uma tradição histórica, o modelo está profundamente integrado à economia e ao cotidiano da população. Em um país com cerca de 5,6 milhões de habitantes, aproximadamente 80% dos finlandeses possuem vínculo com ao menos uma cooperativa, segundo dados da Pellervo Coop Center.
O número ajuda a explicar por que as cooperativas e organizações mutualistas ocupam posições de liderança em setores estratégicos, como serviços financeiros, varejo, seguros, agroindústria e florestas. A experiência finlandesa demonstra que o cooperativismo pode combinar escala, inovação e competitividade sem perder sua essência baseada na participação dos membros.
Cooperativismo presente em toda a economia
Na Finlândia, as cooperativas não estão restritas ao campo ou a nichos específicos. Elas lideram mercados relevantes e fazem parte da rotina da população. O maior exemplo é o OP Pohjola, principal grupo financeiro do país, formado por cooperativas bancárias e empresas de serviços financeiros. Junto com outras instituições de base cooperativa, o sistema responde por parcela significativa dos empréstimos e depósitos do mercado finlandês.
No varejo, o destaque é o S Group, formado por cooperativas de consumo que operam supermercados, hotéis, restaurantes, postos de combustível e serviços financeiros. Em 2025, o grupo alcançou quase metade do mercado de alimentos da Finlândia e distribuiu centenas de milhões de euros em benefícios aos seus membros.
A presença cooperativa também é forte no setor de seguros, por meio de organizações mutualistas como a LocalTapiola, além de atuar em áreas estratégicas ligadas à proteção patrimonial e gestão de riscos.
Uma história ligada ao desenvolvimento nacional
O cooperativismo moderno finlandês começou a ganhar força no final do século XIX, quando pequenos produtores e comunidades buscavam alternativas para acessar crédito, comercializar produtos e fortalecer a economia local.
Nesse contexto surgiu, em 1899, a Pellervo Society, organização responsável por difundir os princípios cooperativos, formar lideranças e apoiar a criação de novas cooperativas. A entidade teve papel decisivo na consolidação do modelo e ajudou a transformar a cooperação em uma estratégia de desenvolvimento nacional.
A partir dessa base, a Finlândia construiu um ambiente favorável à expansão das cooperativas, apoiado por educação, governança, legislação adequada e forte participação dos associados.
Lições para o cooperativismo brasileiro
A experiência finlandesa mostra que cooperativas podem atuar com eficiência em mercados altamente competitivos e tecnologicamente avançados. Empresas como a Valio, do setor lácteo, e o Metsä Group, da indústria florestal, comprovam que a propriedade coletiva pode coexistir com inovação, internacionalização e grande escala.
Outro aprendizado está na capacidade de gerar valor além das sobras. Benefícios financeiros, serviços integrados, fidelização, conveniência e impacto regional fazem parte da proposta de valor oferecida aos associados.
Embora Brasil e Finlândia tenham realidades distintas, o caso finlandês reforça que a intercooperação, a profissionalização da gestão e o foco no associado podem transformar cooperativas em protagonistas da economia. Em um cenário global marcado por concentração empresarial, a Finlândia demonstra que cooperar não significa ser pequeno, mas construir organizações capazes de crescer mantendo sua conexão com as pessoas e as comunidades que representam.
Elaborado com informações de Portal do Cooperativismo Financeiro












