Cooperativa Coopservidor ES lança campanha para apoiar associação que atende 66 crianças atípicas em Apiacá

Associação Inclusiva de Apiacá (AIA) realiza o acolhimento de 66 crianças com diferentes transtornos e sobrevive de doação

O que começou como uma busca por apoio para o próprio neto se transformou em uma rede de acolhimento que hoje impacta positivamente a vida de dezenas de crianças e famílias em Apiacá, no Sul do Espírito Santo. Foi lá que nasceu a Associação Inclusiva de Apiacá (AIA), uma entidade sem fins lucrativos dedicada ao atendimento de crianças com transtornos do neurodesenvolvimento e outras condições.

A história teve início há oito anos, quando o autismo entrou na vida de Isabel Emerenciano Quirino e do seu marido por meio do neto, Henrique. Na época, o diagnóstico trouxe dúvidas, inseguranças e uma realidade até então desconhecida. Em uma cidade pequena, em que o acesso à informação era limitado e os serviços especializados eram escassos, cada avanço exigia aprendizado, adaptação e persistência.

“O autismo bateu à nossa porta há oito anos. Tudo era muito desconhecido. A gente precisou aprender a lidar com uma realidade que nunca tinha imaginado viver”, relembra Isabel. Essa experiência, que no início pareceu ser individual, foi percebida por ela também em outras famílias que viviam o desafio semelhante: buscar caminhos para garantir o atendimento necessário.

De acordo com a fundadora da associação, havia crianças sem acesso a acompanhamento adequado, mães sobrecarregadas e uma carência evidente de espaços preparados para acolher não apenas os pacientes, mas também os familiares e responsáveis que conviviam diariamente com os desafios do cuidado.

Foi a partir dessa percepção que nasceu um sonho: criar um lugar onde crianças e famílias pudessem encontrar acolhimento, respeito e apoio. “A adaptação do Henrique em algumas terapias me fez perceber uma necessidade muito grande na cidade. Eu via a falta que fazia um espaço humanizado, onde as pessoas fossem recebidas sem julgamentos e com carinho. Foi aí que comecei a sonhar com a AIA”, conta.

Virada de chave

O desejo permaneceu por anos no papel até que, há poucos meses, Isabel decidiu transformá-lo em realidade. Ao lado do marido, ela iniciou uma verdadeira força-tarefa para estruturar o projeto. Sem grandes patrocinadores, sem recursos públicos permanentes e contando principalmente com a própria determinação, o casal investiu tempo, energia e recursos pessoais para colocar a iniciativa de pé.

“Tudo começou do nada. Tinha o sonho, a vontade de ajudar e a coragem de fazer acontecer. Fomos atrás de profissionais, organizei o espaço, mantive um bazar para arrecadar recursos e fui construindo aos poucos”, relata.

A principal fonte de arrecadação veio justamente de um bazar solidário criado para sustentar a associação. Cada peça vendida ajudou a financiar móveis, equipamentos, materiais pedagógicos e parte da estrutura necessária para iniciar os atendimentos.

O esforço deu resultado. A Associação começou atendendo cerca de 20 crianças, mas rapidamente ganhou reconhecimento na comunidade. Hoje, a ação acompanha cerca de 66 de crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA), TDAH, deficiências intelectuais, síndromes raras e outras demandas que exigem atenção especializada.

Mais do que oferecer atividades terapêuticas, pedagógicas e psicológicas, a AIA se tornou um espaço de pertencimento para essas famílias. “Eu queria acolher a criança, mas também acolher a mãe. Porque quem vive essa realidade sabe que o diagnóstico não afeta apenas uma pessoa. Toda a família precisa de apoio”, afirma.

Essa preocupação continua sendo uma das principais motivações de Isabel. Nos primeiros meses de funcionamento, a associação chegou a desenvolver ações voltadas simultaneamente para crianças e responsáveis. O crescimento acelerado da demanda obrigou a priorização dos atendimentos infantis, mas o desejo de ampliar novamente esse acolhimento permanece vivo.

“Meu sonho é cuidar de quem cuida. Muitas mães chegam aqui cansadas, sem apoio, sem saber para onde ir. Eu quero que elas encontrem acolhimento também.”

Persistência diante das perdas

A criação da AIA coincidiu com um dos períodos mais difíceis da vida de Isabel. Além das responsabilidades de administrar a associação praticamente sozinha, ela precisou lidar com a perda do marido, que era auditor fiscal e foi o seu parceiro em todas as etapas do projeto.

O luto se somou ao desgaste físico e emocional provocado pela busca constante por recursos para manter os atendimentos funcionando. “Desde que o meu marido faleceu, pensei várias vezes em parar. Foi muito difícil continuar. Mas quando vejo essas crianças chegando todos os dias, percebo que não posso desistir”, diz.

Mesmo diante das dificuldades, a associação seguiu atuando. Hoje, conta com profissionais especializados, apoio da comunidade e um auxílio concedido pela Prefeitura de Apiacá. Ainda assim, as necessidades continuam sendo muitas.

A entidade depende de doações, da arrecadação obtida pelo bazar solidário e de parcerias para garantir a continuidade dos atendimentos. Equipamentos básicos, manutenção da estrutura e ampliação dos serviços estão entre os desafios enfrentados diariamente.

Cooperativismo soma forças

Há mais de 20 anos, Isabel é cooperada da Cooperativa de Economia de Crédito Mútuo dos Servidores Estatutários da Administração Direta do Estado do Espírito Santo (Coopservidor ES), antiga Coopfisco, instituição que o seu marido também fez parte ao longo da vida. Foi por meio dessa relação criada há décadas que a cooperativa acompanhou a história do casal e a criação do projeto.

“Fomos e somos testemunhas do empenho, dedicação e carinho que a Isabel e o seu marido, Quirino, colocaram na associação. E aquilo que a AIA se propõe a fazer está conectado ao que o cooperativismo acredita, que é unir forças para que todo mundo avance. Isso nos estimulou a ajudar”, conta a gerente geral da Coopservidor ES, Ana Lucia Silva.

Motivados pelo 7º princípio do cooperativismo, o Interesse pela Comunidade, a cooperativa decidiu iniciar uma campanha voltada aos seus cooperados e à sociedade de forma geral para estimular a doação de recursos financeiros para que a associação possa seguir atuando e transformando mais vidas.

“Cada doação, cada gesto, faz uma grande diferença. Essa é uma oportunidade de darmos as mãos e mostrar o poder da união. Esse é um projeto lindo de uma cooperada, uma iniciativa que nos enche de orgulho. Queremos ver a AIA impactando mais e mais vidas e, por isso, convidamos a sociedade a doar”, completa Ana Lucia.

Para Isabel, que construiu sua trajetória lado a lado com cooperativismo, o apoio possui um significado especial. “Somos cooperados há mais de 20 anos. Saber que a cooperativa está olhando para essa causa e ajudando a nossa associação é algo que emociona muito. É um apoio que chega para fortalecer um sonho que nasceu dentro da nossa família e que hoje pertence a toda a comunidade”, comenta.

Como ajudar

A Associação Inclusiva de Apiacá mantém suas atividades por meio de doações, ações solidárias e do bazar beneficente. Pessoas interessadas em colaborar podem entrar em contato diretamente com a entidade.

•    Associação Inclusiva de Apiacá (AIA)
•    Rua Caroline Silveira, nº 3, Centro, Apiacá (ES)
•    Telefone: (28) 99943-9271 | (28) 99999-1147
•    E-mail: [email protected]


Fonte: Sistema OCB/ES com adaptações da MundoCoop

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