Em um mundo cada vez mais marcado pelo consumo desenfreado, torna-se indispensável repensar a importância do trabalho dos catadores — profissionais que, muitas vezes invisibilizados, atuam diretamente na redução dos impactos ambientais e fortalecem a economia circular. Seu esforço mostra que a união comunitária pode ser motor de transformação social.
Segundo a gestora da Cooperlagos de Rio Preto, Tereza Pagliotto, a cooperativa conta hoje com 50 catadores, que processam em média 110 toneladas de material por mês. Esse trabalho gera uma renda mensal aproximada de R$ 2.200 por trabalhador.
Para que a atividade seja possível, são necessários caminhões para atender grandes geradores e carrinhos elétricos na região central.
Já a Cooperios, apoiada pela ARES (Associação Riopretense de Educação e Saúde), possui atualmente 15 catadores, embora o número seja rotativo. A coordenadora Cléa da Cruz Lima de Almeida lembra que, há alguns meses, a unidade chegou a contar com 23 trabalhadores. Hoje, o espaço consegue separar e reaproveitar cerca de 30 toneladas de resíduos em Rio Preto.
Sobre a geração de renda, Cléa explica que os profissionais da coleta seletiva recebem, em média, um salário mínimo mensal. No entanto, a remuneração varia conforme a frequência e a permanência na jornada de 8 horas, podendo chegar a R$ 2.000.
“Sabemos que o valor ainda é insuficiente diante de todo o esforço físico e do papel importante executado por eles na destinação correta dos materiais”, afirma.
A presidente da Cooperlagos, Helena Maria Carvalho, trabalha como catadora há 20 anos. Aos 65, ela considera seu ofício essencial para o meio ambiente e destaca a paixão que nasce dentro da cooperativa.
“Primeiro a gente entra pela renda, mas depois muda a visão. Muita gente desfaz, mas eu amo o que eu faço. É muito gratificante fazer a triagem e depois vender coisas de valor no barracão. Conseguimos fazer R$ 2.500 por mês”, pontua.
Na Cooperios, a catadora Elisangela Pereira de Souza, de 47 anos, atua há seis anos e resume o trabalho com uma expressão marcante: “o lixo é chamado de luxo”.
Para ela, o ponto alto está na separação dos materiais. “Sou muito grata, me sinto feliz onde eu trabalho. A reciclagem é nossa mãe, somos uma família, temos união e renda. Eu amo trabalhar com isso. Sou mãe e avó, já tive outras funções, mas não gostei. Aqui podemos brincar e sorrir e é aqui que vou me aposentar”, finaliza.
Fonte: Jornal DHoje com adaptações da MundoCoop












