A inadimplência no crédito rural para pessoas físicas no Brasil voltou a aumentar, e, em abril, chegou a 7,4% da carteira total de recursos direcionados, oriundos dos depósitos à vista e da poupança rural. O índice é um dos mais altos da história, atrás apenas do patamar de fevereiro deste ano (7,6%), de acordo com as Estatísticas Monetárias e de Crédito que o Banco Central divulgou na quinta-feira (28). Em março, após o pico de fevereiro, a inadimplência dos produtores rurais pessoas físicas havia recuado para 7,1%.
O cenário é pior nas operações com taxas de mercado. Nessa modalidade, a inadimplência chegou a 13,3% das operações em abril. Nas taxas reguladas, o índice atingiu 3,1%, o mais alto da série histórica, iniciada em 2011, igualando os índices de outubro de 2017 e março de 2018.
Entre as pessoas jurídicas, a inadimplência do agronegócio chegou a 0,8%. O índice é maior nas taxas de mercado (0,9%). Nas operações com taxas controladas, a inadimplência ficou em 0,5%.
O “crédito rural problemático” (que inclui parcelas de operações atrasadas, inadimplentes, prorrogadas e renegociadas) no sistema financeiro somou R$ 186,5 bilhões em abril. O montante representa quase 21% de toda carteira ativa nas instituições financeiras, mais que o dobro de dois anos atrás, segundo dados do Departamento de Regulação, Supervisão e Controle das Operações do Crédito Rural e do Proagro do BC (Derop). Em contrapartida, R$ 708,4 bilhões em financiamentos seguem em curso normal.
Do total de crédito problemático no país, R$ 103,99 bilhões estão renegociados e R$ 38,76 bilhões, inadimplentes. Também há R$ 28,52 bilhões em operações prorrogadas e R$ 15,23 bilhões de parcelas em atraso.
Em março, o saldo “problemático” estava em R$ 180,6 bilhões (20% do total). Em abril de 2025, a carteira problemática estava em R$ 109,4 bilhões (13%).
No Rio Grande do Sul, Estado que enfrentou problemas com secas e enchentes nas últimas cinco safras, são quase R$ 40 bilhões de operações de crédito rural com algum tipo de problema, o equivalente a cerca de 35% da carteira ativa total, de R$ 112,7 bilhões. A maior parte dessas dívidas (R$ 23,1 bilhões) está renegociada.
“A elevação recente do saldo problemático no crédito rural deve ser analisada sob uma perspectiva multifatorial. Observamos, nos últimos anos, a combinação de eventos meteorológicos extremos em diversas regiões produtoras, aumento de custos de produção, especialmente insumos, e condições financeiras mais restritivas”, disse Cláudio Filgueiras, diretor do Derop.
O Derop lançou uma ferramenta que permite acompanhar mensalmente o saldo devedor do crédito rural. O gráfico do endividamento distingue as operações em curso normal daquelas com algum tipo de problema, como atraso (parcelas não pagas entre 15 e 90 dias após o vencimento), inadimplência (parcela não paga após 90 dias do vencimento), prorrogação (prazo de vencimento dilatado antes do vencimento da parcela, com manutenção das demais condições contratuais) e renegociação (saldos que passaram por alteração contratual, desde que não se enquadrem como prorrogação).
“Ao ampliar o acesso a informações mais granulares, buscamos apoiar análises qualificadas por parte da sociedade, da academia e dos formuladores de políticas, além de facilitar o atendimento a demandas específicas sobre o tema”, afirmou o diretor do departamento do BC.
Fonte: Globo Rural












