Um em cada cinco litros de leite produzidos em Minas Gerais passa por cooperativas, aponta Sistema Ocemg

Com assistência, crédito e representação, cooperativismo impulsiona competitividade e sustentabilidade da produção leiteira em Minas Gerais

Antes de chegar à mesa dos brasileiros, o leite percorre um caminho construído diariamente por milhares de famílias no campo. Em Minas Gerais, líder nacional na produção, o cooperativismo desempenha papel estratégico para fortalecer o setor e transformar resultados em desenvolvimento. No Dia Mundial do Leite, celebrado em 1º de junho, o segmento chama a atenção para seus desafios e o papel das cooperativas para manter a produção forte, competitiva e sustentável.

A cadeia produtiva do leite está presente em 98% dos municípios brasileiros e gera cerca de 4 milhões de empregos no país. Cerca de 80% dos produtores nessa atividade são da agropecuária familiar. Em Minas Gerais, 216 mil propriedades rurais se dedicam à produção leiteira, e um em cada cinco litros produzidos no Estado passa por cooperativas.

Apesar da relevância econômica e social, o setor convive com um cenário de pressão crescente. Desde 2009, o Brasil registra desequilíbrio na balança comercial de leite e derivados, com aumento da entrada de produtos estrangeiros no mercado nacional. Para produtores e representantes da cadeia leiteira, a concorrência se dá em condições desiguais, já que países vizinhos operam com políticas de incentivo à exportação e benefícios que não encontram paralelo na realidade brasileira.

“Temos que estar integrados aos mercados globais, mas também precisamos de políticas de importação que zelem pelo produtor nacional e ofereçam condições justas para competir e permanecer na atividade”, defende Ronaldo Scucato, presidente do Sistema Ocemg.

Além da pressão externa, os produtores relatam custos elevados com ração, suplementação animal, logística e carga tributária. O impacto desses desafios já aparece no campo. De acordo com dois últimos Censos Agropecuários, o número de pecuaristas que comercializavam leite caiu 32% em pouco mais de uma década. Em Minas Gerais, quase 29 mil produtores deixaram o segmento no período.

Cooperativas ajudam a manter atividade viável

Em meio às dificuldades, o cooperativismo tem assumido papel estratégico para sustentar a atividade leiteira. Além da captação e industrialização, as cooperativas atuam na assistência técnica, acesso ao crédito, melhoria de produtividade e agregação de valor ao produto.

Para representantes do coop, ampliar a competitividade do leite brasileiro vai muito além de aumentar a produção. O desafio envolve assistência técnica, melhoramento genético, qualidade do leite, conforto animal, financiamento e criação de novas fontes de renda dentro das propriedades rurais.

Segundo Marcelo Candiotto, presidente da Cooperativa Central de Produtores Rurais (CCPR), é preciso garantir condições para tornar a atividade economicamente sustentável e menos vulnerável às oscilações do mercado. “Não adianta simplesmente dar crédito e deixar o produtor sem alternativas de renda. É preciso estruturar a atividade para que ele consiga crescer com eficiência e permanecer no campo”.


Fonte: SIstema Ocemg com adaptações da MundoCoop

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