O avanço das plataformas digitais no agronegócio brasileiro é irreversível, mas ainda esbarra em entraves estruturais, culturais e de governança. É o que revela o relatório “Plataformas Digitais no Agronegócio: Estratégias para Cooperativas Brasileiras”, produzido pela Fundação Dom Cabral (FDC), no âmbito do Mestrado Profissional em Administração. Com base em entrevistas com dirigentes de cooperativas de café e leite em Minas Gerais, o estudo identificou 22 barreiras que dificultam a criação e a adoção de plataformas digitais no campo, especialmente entre pequenos produtores.
Entre os principais desafios estão o baixo nível de alfabetização digital, a resistência cultural ao uso de tecnologias, a falta de conectividade em áreas rurais e a limitação de investimentos tanto por parte das cooperativas quanto dos produtores. “A tecnologia chegou com força ao campo, mas exige novas competências e capacidades que ainda não estão plenamente disseminadas”, explica Douglas Wegner, professor e pesquisador da FDC.
Outro ponto crítico destacado pela pesquisa é “a infraestrutura precária de internet e energia, considerada um gargalo recorrente para o funcionamento de soluções digitais, além da falta de padronização e cooperação entre as cooperativas”, pontua o pesquisador Luis Fernando Velasco.
A pesquisa também evidencia desafios relacionados à governança e à confiança no uso de dados. Muitos produtores ainda demonstram resistência em compartilhar informações por receio quanto à segurança e à propriedade dos dados, o que impacta diretamente o desenvolvimento de ecossistemas digitais.
Além do diagnóstico, o estudo apresenta um conjunto de estratégias práticas para superar os entraves, baseadas em três grupos focais com dirigentes de cooperativas e especialistas em transformação digital. Entre as principais recomendações estão investir em programas contínuos de capacitação digital para produtores, ampliar o acesso à internet no campo por meio de parcerias com provedores e soluções alternativas, desenvolver plataformas com design simples e centrado no produtor, estimular a intercooperação entre cooperativas para reduzir custos e ganhar escala, fortalecer a governança e a transparência no uso de dados alinhadas à LGPD e profissionalizar a gestão, formando lideranças com foco em transformação digital.
Segundo Douglas Wegner, o sucesso das plataformas digitais no agronegócio depende de uma combinação de fatores: “A viabilidade dessas iniciativas está baseada em pessoas capacitadas, infraestrutura adequada e uma governança bem definida”. Além disso, ficou evidenciado que as cooperativas precisam ampliar as estratégias de intercooperação e firmar parcerias para desenvolvimentos conjuntos, já que a criação de plataformas digitais requer altos investimentos e depende de uma ampla base de usuários para se viabilizar.
Confira o relatório Plataformas Digitais no Agronegócio: Estratégias para Cooperativas Brasileiras na íntegra aqui!
Fonte: Douglas Wegner e Luis Fernando Velasco / Fundação Dom Cabral












