O início de 2026, período marcado pelo planejamento da produção e pela reorganização financeira das propriedades, traz um cenário que exige atenção redobrada dos produtores rurais paranaenses. Juros, custos de produção, riscos climáticos e oscilações de mercado reforçam a importância de um crédito rural cada vez mais técnico, aliado ao planejamento financeiro e à gestão estratégica das propriedades.
Com um dos agronegócios mais diversificados do país, o Paraná avança no ciclo produtivo diante de desafios que vão além da produtividade. A tomada de decisão no campo passa, cada vez mais, por análises financeiras, proteção do patrimônio e uso consciente do crédito, especialmente em um contexto de margens mais pressionadas e maior volatilidade.
Segundo Francieli Dal Pizzol, coordenadora de Agronegócios do Sicoob Unicoob, instituição financeira cooperativa com forte atuação no agronegócio, o crédito rural em 2026 precisa ser encarado como ferramenta de gestão, e não apenas como solução pontual para custeio. “O produtor rural de hoje é um empresário do agro. Ele precisa planejar, avaliar riscos, proteger sua renda e usar o crédito de forma estratégica para sustentar o crescimento do negócio”, destaca Dal Pizzol.
Além do crédito, o planejamento financeiro envolve decisões relacionadas a investimentos, seguros e alternativas que preservem o fluxo de caixa da propriedade. “Em um cenário mais desafiador, o papel do gerente e da instituição financeira é atuar de forma consultiva, ajudando o produtor a escolher a melhor estrutura financeira para sua realidade”, completa.
Desembolsos do BNDES ampliam oferta de crédito ao setor
O cenário de atenção ao crédito rural também se reflete nos números do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). A instituição informou que desembolsou R$ 30,8 bilhões no primeiro semestre do Plano Safra 2025/26. Entre julho e dezembro do ano passado, foram aprovadas mais de 105 mil operações indiretas, com repasse de R$ 26,4 bilhões em financiamentos de Programas Agropecuários do Governo Federal (PAGF), principalmente para investimentos. Outros R$ 4,4 bilhões foram contratados em linhas com recursos próprios e juros livres.
Para o segundo semestre da safra, até junho deste ano, o BNDES ainda dispõe de R$ 20,1 bilhões para contratação em programas do Plano Safra com recursos equalizáveis pelo governo federal, sendo mais da metade destinada à agricultura empresarial.
No início da safra 2025/26, a instituição recebeu R$ 39,7 bilhões para operacionalização de linhas com recursos equalizáveis. Desse total, R$ 24,1 bilhões puderam ser utilizados entre julho e dezembro de 2025, conforme medida adotada pelo governo para distribuir a aplicação dos valores em dois períodos. A iniciativa garantiu espaço orçamentário para o anúncio do Plano Safra, ao limitar o montante que poderia ser emprestado com subsídio federal em cada ano.
A previsão do BNDES é desembolsar até R$ 70 bilhões na safra 2025/26. Além dos quase R$ 40 bilhões com recursos equalizáveis, sendo R$ 26,3 bilhões para médios e grandes produtores e R$ 13,4 bilhões para a agricultura familiar. A instituição também disponibilizou R$ 30,3 bilhões na linha BNDES Crédito Rural, com recursos próprios e juros livres.
Fonte: Sistema Ocepar e Globo Rural, com adaptações da MundoCoop












