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MundoCoop - Informação e Cooperativismo

Governo estuda criação de fundo garantidor para destravar crédito rural

Mundo Coop POR Mundo Coop
14 de novembro de 2025
AGRONEGÓCIO
Governo estuda criação de fundo garantidor para destravar crédito rural

Governo estuda criação de fundo garantidor para destravar crédito rural

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Diante das dificuldades dos produtores de acessarem crédito rural nesta temporada, por conta dos juros mais altos, endividamento crescente e falta de garantias reais para as novas operações, o assessor especial do Ministério da Agricultura, Carlos Augustin, defende que o governo federal crie um fundo garantidor nacional para viabilizar os financiamentos.

Ele disse ao Valor que o cenário é preocupante para 2026 e por isso é necessário criar um novo instrumento para garantir o acesso aos financiamentos pelos produtores. A ideia é espelhar no campo iniciativas adotadas durante a pandemia, como o fundo estruturado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para garantir crédito às empresas afetadas pelo lockdown.

A proposta era uma das pautas de discussão com o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, nesta terça-feira (11/11). A medida ainda está no campo das ideias, mas Augustin projeta que será necessário instituir o fundo por lei. Ele deverá conversar em breve com o deputado federal Arnaldo Jardim (Cidadania-SP), vice-presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), sobre caminhos para viabilizar a medida.

O ideal, disse ele, é que o fundo tenha cerca de 10% do valor que pretende garantir em financiamentos na ponta, mas ainda não há valores fechados. A ideia é que o mecanismo ajude, principalmente, a gerar acesso a crédito de custeio, usado para bancar os insumos e gastos operacionais de implementação das lavouras.

Segundo Augustin, o precisaria fazer aporte financeiro para colocar o fundo de pé. Ele disse que recebeu a sinalização do Banco Mundial de que a instituição também poderia ajudar. Outros agentes financeiros poderiam abastecer o fundo.

O cenário do campo preocupa, disse o assessor antes da reunião com Haddad. A inadimplência está em alta no país e até produtores de regiões com boa produção, como Mato Grosso, têm buscado a prorrogação de dívidas. Mesmo com uma “safra cheia” em 2024/25, os preços das commodities não reagiram e espremeram as margens da atividade. O cenário se repete em outros polos produtores, disse Augustin.

A preocupação está com a próxima safra. Segundo ele, com a redução das margens e dificuldades de crédito, muitos produtores vão reduzir as áreas plantadas e o pacote tecnológico usado nas lavouras. O resultado deve ser uma produção menor e com menos rentabilidade aos agricultores, com reflexos econômicos e indicativos pessimistas para 2026.

A demanda anual por crédito de custeio é estimada em R$ 1,3 trilhão. Cerca de um terço é atendida pelo sistema financeiro, outro terço por mercado de capitais, tradings e fornecedores de insumos e o restante bancado com recursos próprios dos produtores.

Dados do Banco Central compilados pelo Ministério da Agricultura mostram que o saldo de operações de crédito rural no sistema financeiro em julho deste ano somava R$ 797,4 bilhões dos quais 2,72% estavam em atraso e 2,28% inadimplentes. Apesar de ainda baixos, os percentuais aumentaram em relação aos anos anteriores. Em julho de 2024, a inadimplência era de apenas 1,2%.

O saldo de operações renegociadas também deu um salto e chegou a 9,27% em julho de 2025, bem acima dos 3,24% de dois anos antes.

Em setembro deste ano, o saldo de operações era de R$ 810,4 bilhões, dos quais 2,78% estavam inadimplentes (sem pagamento há mais de 90 dias), 2,6% em atraso e 9,12% renegociadas.

Após a reunião com Haddad, Carlos Augustin foi procurado pela reportagem, mas não respondeu aos pedidos para mais informações sobre a proposta.


Fonte: Globo Rural com adaptações da MundoCoop

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