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MundoCoop - Informação e Cooperativismo

Com juros elevados, Brasil dribla tarifaço e vê inflação voltar à meta

MundoCoop POR MundoCoop
1 de janeiro de 2026
ECONOMIA & FINANÇAS
Com juros elevados, Brasil dribla tarifaço e vê inflação voltar à meta

Com juros elevados, Brasil dribla tarifaço e vê inflação voltar à meta

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A inflação brasileira surpreendeu o mercado financeiro e caminha para fechar 2025 no intervalo de tolerância da meta. O arrefecimento é motivado, principalmente, pelo aperto da política monetária, pela safra recorde de grãos e pelas estratégias para superar as sobretaxas sobre as exportações de bens para os Estados Unidos.

O que aconteceu

Inflação fechará 2025 no intervalo da meta: Após superar a margem de tolerância de 1,5 ponto percentual da meta de 3% desde outubro de 2024, o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) acumulado em 12 meses fechou novembro em 4,46%. O cenário fez o BC (Banco Central) reduzir a chance de estouro da meta de 71% para 26%, com a expectativa de que a inflação fechará o ano em 4,4%.

Projeções indicavam IPCA acima de 5,5%: As expectativas foram compiladas pelo Relatório Focus nos primeiros meses deste ano e passaram a perder força em abril. Agora, a mediana das expectativas do mercado financeiro indica que o índice fechará 2025 em 4,36%, fruto de uma variação mensal de 0,42% em dezembro. Para a meta ser ultrapassada, a alta deste mês precisa superar 0,57%.

Juros

Taxa Selic é determinante para o resultado. Com a estratégia de reduzir a inflação, o BC optou pela elevação da taxa básica de juros ao maior patamar desde julho de 2006. “Manter a Selic em 15% ao ano ajudou a desacelerar a economia e reduzir pressões de demanda, especialmente em serviços e bens industriais”, afirma Reginaldo Nogueira, economista e diretor nacional do Ibmec.

A manutenção da taxa Selic em nível elevado por um período prolongado reduziu o ritmo da atividade econômica, esfriou o consumo das famílias e desacelerou o crédito, o que ajuda a conter os reajustes de preços – Gustavo Casseb Pessoti, conselheiro do Cofecon

‘Tarifaço’

Sobretaxa dos Estados Unidos foi superada: As cobranças impostas pela Casa Branca sobre as exportações brasileiras indicam que o governo e os produtores conseguiram amortecer os efeitos até os consumidores. “No caso de produtos como café, carnes, ovos e pescados, a forte produção doméstica e a diversificação de mercados ajudaram a reduzir o repasse integral das sobretaxas aos preços internos”, afirma Gustavo Casseb Pessoti, do Cofecon (Conselho Federal de Economia).

Efeitos das tarifas ainda podem ressurgir: O possível peso das sobretaxas no bolso dos brasileiros ainda não está completamente descartado. “Resquícios ainda podem existir em itens como pescados e ovos, onde as taxas não foram totalmente eliminadas, mas o efeito geral foi mais contido”, avalia Nogueira. Também não são descartados os efeitos indiretos sobre os custos de insumos e logística. “Esses impactos tendem a ser mais difusos e pontuais, sem caracterizar, até o momento, uma pressão inflacionária generalizada”, afirma Pessoti.

Dólar contribui para recuo da inflação: Com as sobretaxas aplicadas sobre diversos países do mundo, a moeda norte-americana recuou mais de 10% ante o real neste ano e auxiliou na desinflação do Brasil com o efeito direto sobre matérias-primas essenciais na cadeia produtiva. “O cenário externo menos adverso, com preços internacionais de commodities mais estáveis, não gerou impulsos inflacionários adicionais relevantes em 2025”, diz Pessoti.

Alimentos

Safra recorde derruba preço dos alimentos: A produção agrícola também contribuiu para o arrefecimento da inflação neste ano. O cenário resultou em cinco variações negativas do grupo de alimentação e bebidas desde junho. “A ampla oferta de produtos agrícolas ajudou a reduzir preços no atacado e limitou repasses ao consumidor final, especialmente em itens in natura”, afirma Pessoti. “O clima favorável ajudou muito”, reforça Nogueira.

Com safras recordes de grãos, os preços de cereais, derivados de soja e até carnes, com a ração mais barata, ficaram contidos ou com variações negativas em vários meses.– Reginaldo Nogueira, diretor do Ibmec

Arrefecimento tende a persistir no início de 2026: A tendência observada nos últimos meses deve ser mantida e reduzir o peso da inflação na mesa das famílias. “Esperamos pela continuidade do alívio, com a colheita no pico e bandeiras tarifárias de energia mais favoráveis. Itens sazonais, como frutas, podem variar, mas a moderação geral deve persistir”, projeta Nogueira.

2026

Juros elevados devem manter preços contratados: Com a perspectiva de manutenção da taxa Selic em patamares elevados por um período “bastante prolongado”, as expectativas indicam para a inflação controlada no começo do próximo ano. “O cenário segue relativamente favorável, embora exista risco de volatilidade associado a fatores climáticos, custos de transporte e oscilações cambiais”, diz Pessoti.

Preços dos serviços abrem sinal de alerta: A inflação do setor tem relação direta com a menor taxa de desemprego da história, estimulando a procura relacionada à atividade. “Serviços devem manter pressão pelo mercado de trabalho aquecido”, explica Nogueira. Ele analisa que o custo dos preços administrados, a exemplo de combustíveis, energia elétrica e planos de saúde, também podem pesar no bolso.

Riscos de clima e câmbio existem, mas o caminho é de convergência gradual. – Reginaldo Nogueira, diretor do Ibmec


Fonte: UOL

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