O Banco Central anunciou que vai propor mudanças nas regras do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) após os desdobramentos do caso Banco Master, que chamou a atenção de autoridades, investidores e órgãos de controle nas últimas semanas.
A sinalização foi feita durante evento realizado nesta segunda feira, em São Paulo. Segundo o diretor de Regulação e de Organização do Sistema Financeiro e Resolução do Banco Central, Gilneu Vivan, a revisão das normas do FGC deve entrar na agenda regulatória da autarquia ainda neste ano, com possibilidade de avanços também em 2027.
Além da atualização das regras do fundo, a proposta em estudo inclui ajustes relacionados à distribuição de títulos, reforço de mecanismos de prevenção a fraudes e debates sobre aspectos ligados a tarifas bancárias. O Banco Central ainda não detalhou quais mudanças devem ser priorizadas.
O FGC voltou ao centro do debate após a liquidação extrajudicial do Banco Master e do Will Bank, supervisionada pelo Banco Central. Em 2025, o fundo precisou desembolsar mais de R$ 40 bilhões para ressarcir credores dessas instituições, em uma das maiores operações de sua história.
O episódio levantou questionamentos sobre a sustentabilidade do modelo e sobre os limites operacionais do FGC, especialmente diante do crescimento de bancos digitais e da ampliação da base de clientes dessas instituições.
De acordo com o Banco Central, o caso trouxe aprendizados relevantes, sobretudo em relação ao tempo dos processos de liquidação e à dimensão dos impactos, considerando que os bancos envolvidos atendiam milhões de clientes. Apesar disso, não foram observadas mudanças relevantes no comportamento de captação de outros bancos de pequeno e médio porte.
O debate sobre a revisão das regras ocorre em paralelo a investigações que apuram possíveis fraudes e irregularidades envolvendo o Banco Master. A expectativa é que os ajustes fortaleçam a proteção aos investidores e contribuam para a estabilidade do sistema financeiro.
Elaborado por Redação MundoCoop












