Recorde de longevidade no Brasil impulsiona novo olhar das cooperativas sobre o futuro
O brasileiro nunca viveu tanto. Segundo o IBGE, a expectativa de vida ao nascer chegou a 76,6 anos em 2024, o maior patamar da série histórica iniciada em 1940. Quem completa 60 anos hoje pode contar, em média, com mais 22,6 anos de vida pela frente. O dado muda a régua com que cooperados, cooperativas e o próprio sistema financeiro precisam medir o futuro.
Se antes bastava pensar nos próximos cinco ou dez anos, agora entra em cena um horizonte de três décadas ou mais, e é justamente esse recorte temporal que começa a orientar as discussões dentro do cooperativismo de crédito.
Antes de falar em estratégia, Marcelo Vieira Martins, diretor executivo da Unicred União, aponta uma questão mais simples, porém mais difícil de resolver, o comportamento humano. Para ele, o obstáculo central não é técnico. “O maior conflito é que o presente sempre faz mais barulho do que o futuro. Todo mundo tem contas para pagar, desejos imediatos e urgências que parecem inadiáveis.”
Se o comportamento é o primeiro desafio, o segundo é técnico, transformar previdência, tema historicamente distante e abstrato, em algo que faça sentido para as decisões do cooperado hoje. Para Denise Maidanchen, CEO na Quanta Previdência, o erro comum é vender como promessa e não como ferramenta. “Precisamos mostrar que a previdência gera valor hoje, e não apenas no futuro.”
Semana de Competitividade fortalece cultura e futuro das cooperativas
Como crescer, inovar e ganhar competitividade sem perder a essência que diferencia o cooperativismo? A Semana de Competitividade 2026 colocou essa questão no centro das discussões realizadas entre os dias 11 e 13 de agosto, em Brasília.
Com o tema Cultivando a Cultura Cooperativista, o evento abordou desafios que acompanham o atual ciclo de expansão do setor. O cooperativismo brasileiro chegou a 29 milhões de cooperados em 2025, o que amplia a importância de fortalecer o vínculo dessas pessoas com suas cooperativas.
“Precisamos surfar a onda da inovação, da profissionalização, da adequação. Precisamos de negócios grandes, de potência. Mas não podemos deixar que o negócio desequilibre o conceito com as bases, os princípios e os valores”, afirmou o presidente do Conselho de Administração do Sistema OCB, Márcio Lopes de Freitas.
Promovido pelo Sistema OCB, o encontro reuniu cerca de 800 cooperativistas de todos os estados e do Distrito Federal em uma programação voltada a transformar cultura, identidade e princípios cooperativistas em estratégias para fortalecer os negócios e preparar o movimento para o futuro.
WOCCU define juventude e inclusão financeira como prioridades para cooperativas até 2030
As prioridades das cooperativas de crédito até 2030 já começam a ganhar contornos mais claros. Durante a Conferência Mundial das Cooperativas de Crédito, realizada em Sydney, lideranças de 39 países debateram os principais desafios e oportunidades que deverão impactar o futuro do cooperativismo financeiro nos próximos anos.
As mudanças demográficas também estão entre as prioridades das cooperativas de crédito até 2030. Em muitos mercados, cresce a preocupação com a atração e o engajamento de públicos mais jovens.
As novas gerações valorizam experiências digitais intuitivas, respostas rápidas, personalização e organizações com propósito social. Por isso, diversas cooperativas estão revisando estratégias de comunicação, programas de educação financeira e formas de participação dos associados.
Mato Grosso do Sul fortalece economia local com cooperativas em mais de 97% dos municípios
O cooperativismo alcançou uma presença territorial ampla em Mato Grosso do Sul. Segundo o Panorama do Cooperativismo Sul-Mato-Grossense 2026, as cooperativas estão presentes em mais de 97% dos 79 municípios do estado.
A capilaridade acompanha a expansão dos principais indicadores do setor. Em 2025, Mato Grosso do Sul chegou a 145 cooperativas registradas, cerca de 738 mil cooperados e 17.121 empregos diretos. No mesmo período, os ativos totais alcançaram R$ 38,57 bilhões, enquanto os ingressos e receitas brutas somaram R$ 40,79 bilhões.
Em entrevista exclusiva à MundoCoop, Celso Ramos Regis, presidente do Sistema OCB/MS, avalia que os dados demonstram a consolidação das cooperativas como agentes de desenvolvimento em diferentes regiões do estado. Para o dirigente, a força do modelo está na combinação entre presença territorial, vínculo com os cooperados e capacidade de responder a demandas locais.
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