O Brasil enfrenta o desafio crítico da perda de relevância no cenário global, um fato que não admite disfarce. Em 1980, detínhamos mais de 4% do PIB mundial; hoje, as projeções para 2026 nos situam entre 2,3% e 2,4%. Enquanto o mundo avança a uma média superior a 3,3%, nossa estimativa de crescimento é de pouco mais de 2%. Esse descompasso reflete décadas em que a discussão de temas estruturantes, ainda que importante, consumiu mais energia do que a execução prática de investimentos de forma inteligente, capazes de gerar prosperidade e riqueza social.
Reverter essa trajetória exige um exercício de humildade e complementariedade. Precisamos entender que a sustentabilidade de qualquer iniciativa depende da nossa capacidade de superar o que já existe: entregar mais qualidade, com processos mais enxutos e uma jornada superior, garantindo que o valor chegue às mãos das pessoas de forma mais acessível. Toda ineficiência significa, indiretamente, subtrair valor da sociedade e adiar a justiça social que tanto buscamos. A verdadeira força nasce quando abandonamos a autossuficiência e permitimos que a inteligência de um supra a lacuna do outro, transformando competências isoladas em um ecossistema indestrutível de desenvolvimento.
Nesse cenário, o foco deve ser total nas pessoas (associado/cliente). Elas são a razão de existir de qualquer estrutura. A eficiência não é apenas uma métrica de gestão, mas uma forma de respeito ao próximo. Cada avanço em produtividade e qualidade dentro das nossas atividades é um passo concreto em direção a um país mais justo.
Vivemos em um mundo cada vez mais dinâmico, onde a transformação digital com centralidade no indivíduo vai redefinir as regras do jogo a cada instante. O custo de sermos ineficientes já vem sendo cobrado e se tornará cada vez maior, pois a falta de lucidez não encontra mais abrigo na nova economia global. No entanto, se tivermos a grandeza de cooperar e a coragem de abraçar a tecnologia com propósito humano, seremos o modelo de nação que desejamos ver no espelho. O Brasil tem talento e escala para retomar seu protagonismo. O convite está feito, e o sucesso depende de cada um de todos nós, pessoas e corporações, evoluirmos juntos.
*César Saut é Vice-presidente da FEDERASUL – Federação das Entidades Empresariais do Rio Grande do Sul












