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MundoCoop - Informação e Cooperativismo

A batalha da comunicação – Luís Artur Nogueira é economista, jornalista e palestrante

MundoCoop POR MundoCoop
13 de fevereiro de 2024
ARTIGO
Luís Artur Nogueira é economista, jornalista e palestrante

Luís Artur Nogueira é economista, jornalista e palestrante

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ECONOMIA & COOPERATIVISMO

Os diversos ramos do cooperativismo apresentam crescimento expressivo nos últimos anos. Em geral, os resultados são os melhores dentro dos respectivos segmentos econômicos, com ganhos de fatia de mercado. Um bom exemplo é o cooperativismo de crédito, cuja expansão anual vem constantemente superando a média do sistema financeiro nacional. 

As cooperativas de crédito são muito diferentes dos bancos. Eu sou cooperado do Sicoob e do Sicredi, ambos com agências na avenida Faria Lima, o principal centro financeiro de São Paulo. Posso afirmar que o atendimento nestas agências em nada lembra o de um banco tradicional. Os funcionários são atenciosos, gentis e prestativos, e eu me sinto como se estivesse num local que me pertence. Aliás, é exatamente isso. 

Os cooperados são sócios do negócio e como tal são tratados. Afinal de contas, o associado não é um mero cliente como ocorre nos bancos. Não é por acaso que as cooperativas têm taxas de juros menores do que as dos grandes bancos. Em primeiro lugar, isso é possível porque o cooperativismo de crédito não visa apenas o lucro pelo lucro, e tem no seu DNA uma função social de auxiliar os seus associados e a comunidade local.   

Essa visão vale tanto para as pessoas físicas quanto para as pessoas jurídicas. Quando o cooperativismo viabiliza o financiamento de um pequeno negócio com taxas de juros compatíveis, a consequência é altamente positiva para a economia daquela região, gerando emprego e renda.    

Além da preocupação social, as cooperativas conseguem oferecer uma taxa de juros mais baixa por causa do amplo conhecimento que elas possuem dos seus associados em comparação com o relacionamento distante que os bancos têm com os seus clientes. Quanto mais o credor conhece o devedor, menor o risco de calote. É por isso que a média de inadimplência do cooperativismo financeiro é inferior à dos bancos.     

Outra vantagem do cooperativismo é a distribuição das sobras entre os associados. Ao contrário dos bancos, cujo lucro fica concentrado nas mãos dos acionistas, as cooperativas compartilham os bons resultados com os seus cooperados. Quanto maior o relacionamento entre as partes, maior a fatia que o associado recebe anualmente.  

Nesse contexto, o cooperativismo também se tornou um ótimo lugar para investimentos financeiros. Além de poderem usufruir de taxas atraentes nos principais produtos do mercado de renda fixa e renda variável, os associados investidores ganham ainda mais sobras conforme ampliam suas aplicações financeiras.   

Qualquer pessoa ciente dessas vantagens não teria dúvidas em trocar os grandes bancos pelo cooperativismo financeiro, seja para tomar crédito, seja para aplicar seu dinheiro. Se é tão melhor assim, por que a saúde financeira da maioria dos brasileiros ainda está nas mãos dos grandes bancos? A resposta é simples: há um enorme desconhecimento sobre o que é o cooperativismo de crédito. 

Em qualquer área da vida, desconhecimento gera medo e desconfiança nas pessoas. Cabe ao cooperativismo explicar melhor para a sociedade como é o seu funcionamento e quais são os seus benefícios. No curto prazo, é preciso travar uma verdadeira batalha da comunicação em todas as frentes possíveis, incluindo ações de marketing. Porém, a longo prazo, o grande desafio é levar o conceito do cooperativismo para dentro das escolas, de forma integrada ao currículo obrigatório. Se começarmos hoje a ensinar as nossas crianças sobre o cooperativismo, teremos uma sociedade completamente diferente daqui 15 anos. 

Em tempo: desejo um excelente 2024 a todos os leitores da MundoCoop.


Por Luís Artur Nogueira, economista, jornalista e palestrante. Atualmente é colunista da revista ISTOÉ Dinheiro 

Conteúdo exclusivo publicado na edição 115 da Revista MundoCoop

Tags: comunicaçãoeconomistaluís
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