Três em cada quatro pessoas (75,2%) em Minas Gerais consomem produtos ou serviços oferecidos por cooperativas, e 85,6% classificam a qualidade dessa oferta como boa ou muito boa. Os dados são da primeira Pesquisa de Imagem e Percepção do Cooperativismo em Minas Gerais, encomendada pelo Sistema Ocemg (entidade que representa o setor no estado) à GMR Inteligência de Mercado e divulgada neste mês.
O levantamento ouviu 1.500 pessoas nas 12 mesorregiões de Minas Gerais para compreender como a população percebe o setor a partir das experiências de consumo, dos valores associados ao modelo e dos impactos gerados pelas cooperativas. De acordo com a pesquisa, a qualidade aparece como o principal motivo para escolher produtos ou serviços do setor, citada por 24,2% dos participantes. O preço vem praticamente empatado, com 23,3%, enquanto 15,5% mencionam o apoio ao desenvolvimento local e aos produtores.
A imagem das cooperativas também está associada à capacidade de acompanhar as transformações da sociedade. Para 76,2% dos participantes, o modelo é atualizado e alinhado à modernidade e à tecnologia. O compromisso ambiental aparece em outra frente: 74,3% vinculam o cooperativismo à adoção de práticas sustentáveis. “É um resultado importante porque traduz uma atuação que já vem colocando o cooperativismo mineiro em posição de destaque. Temos exemplos pioneiros nisso, como a certificação da primeira fazenda de café do mundo em agricultura regenerativa e a implantação da primeira fábrica de biochar da América Latina, iniciativas que mostram como essa agenda vem sendo incorporada de forma concreta pelas cooperativas”, afirma Ronaldo Scucato, presidente do Sistema Ocemg.
No plano econômico e social, oito em cada dez participantes (80,5%) consideram que as cooperativas contribuem ou contribuem muito para o desenvolvimento das regiões onde estão presentes. Geração de empregos (18,8%), desenvolvimento local (17,1%) e estímulo à economia regional (12,5%) aparecem entre os benefícios mais citados, somando quase metade (48,4%) das respostas. Hoje, o cooperativismo mineiro representa 15,9% do Produto Interno Bruto (PIB) de Minas Gerais e emprega diretamente mais de 64 mil pessoas.
“Nos últimos cinco anos, o cooperativismo mineiro praticamente dobrou sua movimentação econômica e ampliou em cerca de 77% o número de cooperados. Hoje, quando consideramos a média de três membros por família de cada cooperado, o universo de pessoas envolvidas com o setor é de quase 60% da população do estado. A pesquisa nos ajuda a entender como essa presença é percebida pelos mineiros e quais características do modelo têm maior relevância para eles”, afirma Scucato.
Crédito e Saúde
As cooperativas de Crédito e Saúde foram os ramos mais lembrados de forma espontânea pelos entrevistados. Em Minas, os dois juntos concentram cerca de 85% dos cooperados e respondem por 60,8% de toda a movimentação econômica do setor, segundo o Anuário de Informações Econômicas e Sociais do Cooperativismo Mineiro 2026.
Em relação ao crédito, a pesquisa identificou que um em cada cinco participantes (21,1%) associa o cooperativismo financeiro a condições mais favoráveis de financiamento. Em Minas, o ramo soma mais de 1,7 mil pontos de atendimento distribuídos por 720 municípios. Em 84 deles, as cooperativas são a única alternativa de atendimento financeiro presencial.
“No cooperativismo financeiro, o cooperado não é apenas cliente, mas também dono do negócio. Essa característica muda a lógica da relação. O objetivo não é conceder crédito a qualquer custo, mas buscar soluções adequadas à realidade de cada associado, para que o acesso aos recursos contribua de fato para sua vida financeira e para o desenvolvimento da região”, afirma Scucato.
Já na saúde, os números explicam por que o ramo ocupa lugar de destaque na lembrança da população. 3,9 milhões de pessoas utilizam planos médicos ou odontológicos oferecidos por cooperativas. Somente em 2025, essas organizações realizaram mais de 100 milhões de consultas e exames, conforme o Anuário do Cooperativismo Mineiro 2026.
“Minas Gerais abriga a operadora com a sexta maior carteira de beneficiários do país e a maior fora do eixo Rio-São Paulo. Com atuação em 99,3% do território mineiro, o cooperativismo de saúde amplia o acesso à assistência suplementar e leva atendimento também a regiões distantes dos grandes centros”, destaca Scucato.
Do campo à mesa
Entre os benefícios gerados pelas cooperativas, 16% dos entrevistados citam a oferta de preços mais acessíveis, e 15,4%, produtos de melhor qualidade, pensando especialmente no ramo agropecuário, que está entre os que mais se destacam. O apoio aos pequenos produtores aparece com peso semelhante, mencionado por 16,7% dos participantes.
A presença do agro cooperativista em algumas das principais cadeias produtivas de Minas Gerais confirma esse resultado. As cooperativas respondem por 63,6% da produção de café do estado e por 18,3% da produção de leite.
“Em um estado onde mais de 70% dos estabelecimentos rurais estão ligados à agricultura familiar, reunir produtores em cooperativas faz diferença na capacidade de competir. É por meio dessa organização que muitos conseguem ampliar o poder de negociação e ter acesso a mercados, tecnologia, assistência técnica e crédito, o que, individualmente, seria muito mais difícil de alcançar”, afirma Scucato.
Confira os principais achados da pesquisa:
- 84,7% avaliam como boa ou muito boa a experiência geral com as cooperativas
- 75,2% afirmam que já consumiram produtos ou serviços de cooperativas
- 85,6% classificam a qualidade dos produtos e serviços como boa ou muito boa
- 80,5% consideram que o cooperativismo contribui ou contribui muito para o desenvolvimento das regiões onde atua
- 74,3% associam o cooperativismo a práticas sustentáveis
- 76,2% consideram o modelo cooperativista atualizado e alinhado à modernidade e à tecnologia
- 60,5% já tiveram contato direto ou indireto com alguma cooperativa
- 24,2% apontam a qualidade como o principal motivo para escolher produtos ou serviços de cooperativas
- 23,3% indicam o preço como principal fator de escolha
- 21,1% associam as cooperativas de crédito a condições mais favoráveis de financiamento
- 18,8% citam a geração de empregos entre os benefícios proporcionados pelo cooperativismo à sociedade
- 17,1% relacionam a atuação das cooperativas ao desenvolvimento local
- 16,7% destacam o apoio aos pequenos produtores entre as contribuições do cooperativismo agropecuário
- 16% associam as cooperativas à oferta de preços mais acessíveis
- 15,5% escolhem produtos ou serviços de cooperativas pelo apoio ao desenvolvimento local e aos produtores
- 15,4% relacionam as cooperativas à oferta de produtos de melhor qualidade
- 12,5% apontam o estímulo à economia regional entre os benefícios gerados pelo cooperativismo
Fonte: O Tempo












