O Memorial Anneken, iniciativa da Sicredi Caminho das Águas, foi reconhecido como Patrimônio Cultural do Cooperativismo pelo programa Cooperative Cultural Heritage, promovido pela Aliança Cooperativa Internacional (ACI). O projeto tem como propósito identificar, reconhecer e preservar lugares, instituições, tradições e práticas que representam o patrimônio cultural do cooperativismo no mundo. Hoje, a lista conta com 95 inscrições distribuídas por 48 países, incluindo patrimônios tangíveis e intangíveis.
Localizado em Rolante (RS), o Memorial Anneken foi inaugurado em 2025, na comemoração de 102 anos da instituição cooperativa financeira. Ocupa uma casa de 150 metros quadrados, distribuídos em 17 ambientes que podem ser percorridos em visita guiada pelos três eixos do espaço: a trajetória centenária da cooperativa, a história do cooperativismo financeiro e a educação financeira. No local, são desenvolvidas atividades educativas e culturais, com visitação gratuita.
A recente nomeação do Memorial Anneken como membro do mapa internacional ocorreu no âmbito da Conferência Global da Aliança Cooperativa Internacional, realizada de 14 a 17 de setembro de 2026, no Panamá. Houve um processo formal de indicação do local, de modo que o Memorial passou por um processo de avaliação dentro da própria iniciativa da ACI.

São estabelecidos 13 critérios internacionais para que um patrimônio seja reconhecido, os quais consideram, entre outras aspectos, a relação daquele local com a identidade cooperativista e sua importância histórica e cultural, a preservação da memória, a transmissão dessa história entre gerações, a relação com a comunidade, a inclusão e a capacidade daquele patrimônio de continuar contribuindo para a cultura cooperativista.
De acordo com o presidente do Conselho de Administração da Sicredi Caminho das Águas, Álvaro Link, a distinção dada ao Memorial Anneken detém um significado muito especial. “Ele não é apenas um espaço físico que preserva objetos, documentos ou uma história do passado. É um espaço vivo. Um lugar de memória, de encontro, de cultura e de educação, que procura manter essa história presente e fazer com que ela possa ser conhecida pelas novas gerações. Fazer parte dessa lista internacional possibilita que uma história que nasceu aqui, no nosso território, passe a dialogar com a história do cooperativismo no mundo”, explica.
No Brasil, existem outros locais com esse reconhecimento. O Brasil já esteve presente desde a primeira edição do programa, com o Monumento ao Cooperativismo, e com o Memorial Amstad de Linha Imperial, ambos em em Nova Petrópolis.
Conforme Link, o reconhecimento traz visibilidade, mas também traz responsabilidade. “Temos a responsabilidade de continuar cuidando dessa memória, de mantê-la viva e de fazer com que ela continue produzindo significado para a comunidade, porque o Memorial Anneken contribui para a conexão entre passado, presente e futuro. E talvez esse seja o maior significado desse reconhecimento: mostrar que o cooperativismo também produz cultura, memória, identidade e deixa um patrimônio para as próximas gerações”, acrescenta.
Critérios em destaque
O Memorial Anneken atendeu, especialmente, a três critérios estipulados pelo programa. O critério número 1, em relação a significado histórico, seleciona locais que estejam diretamente associados a eventos, marcos ou figuras fundamentais do movimento cooperativo.
Outro critério atendido foi o de número 8, sobre envolvimento da comunidade e dos membros, o qual reconhece locais que estejam inseridos em suas comunidades, garantindo a participação ativa, o senso de propriedade e a gestão coletiva por parte dos membros e moradores locais. Já o critério número 10, o qual diz respeito à preservação, destaca locais que se comprometem com a salvaguarda de registros cooperativos, artefatos, tradições orais e edificações por meio de estratégias de conservação sustentáveis.
No site do projeto, o Memorial Anneken é destacado por reunir mais de um século de memória cooperativa local em um edifício já imerso nessa história, uma vez que ocupa uma antiga residência associada a Pedro Alberto Ostjen, presidente de longa data da cooperativa, e por apresentar documentos, fotografias, registros institucionais, objetos e narrativas da comunidade relacionados ao desenvolvimento do cooperativismo na região.
Além disso, a candidatura também ressaltou a digitalização sistemática de atas e registros, a coleta de história oral e uma sala de podcast usada para gravar entrevistas e relatos históricos (com podcasts disponíveis no canal Estúdio DiLógos, no Youtube). Também cita-se que a comunidade enriquece o acervo ao poderem doar fotografias, jornais, documentos e objetos de coleções familiares privadas.

Patrimônio Cultural Cooperativo
O programa de Patrimônio Cultural Cooperativo celebra a história da cooperação mundial, sendo um movimento internacional para salvaguardar e mapear tanto os elementos tangíveis (edifícios, monumentos, cooperativas históricas) quanto os intangíveis (tradições e práticas de governança) que moldam o cooperativismo mundial. O lançamento global do programa ocorreu em um evento histórico realizado no Palácio do Itamaraty, em Brasília, em novembro de 2025, no contexto do Ano Internacional das Cooperativas.
Para conhecer mais sobre o Memorial Anneken, visite o site e siga a página no Instagram.












