Nova edição da Revista MundoCoop está no ar!
O cooperativismo brasileiro vive um ciclo de expansão que também trouxe novos desafios. A edição 134 da Revista MundoCoop parte justamente dessa transformação para discutir uma questão cada vez mais estratégica: como continuar crescendo sem enfraquecer o vínculo, a participação e a identidade que sustentam o modelo cooperativo?
A matéria de capa mergulha nos resultados da Pesquisa de Cultura Cooperativista 2026. O avanço revela a capacidade de expansão do movimento, ao mesmo tempo em que coloca participação, educação, sucessão e governança entre os pontos que precisam acompanhar essa nova escala.
Essa discussão atravessa alguns outros conteúdos da edição. Em entrevista, Luiz Lesse, presidente da Confebras, aponta os próximos passos do cooperativismo de crédito brasileiro. Tecnologia, relacionamento e novos modelos de gestão também ganham espaço no decorrer das matérias. Além da cobertura exclusiva do 16º Concred.
Cooperativas de reciclagem movimentam R$ 2 bilhões e ampliam em 89% volume de materiais recuperados
A reciclagem de base popular ampliou sua presença econômica e ambiental no Brasil nos últimos anos. Em 2024, 3.097 organizações de catadoras e catadores, entre cooperativas e associações, movimentaram R$2,03 bilhões com a comercialização de resíduos e destinaram pouco mais de 2 milhões de toneladas de materiais à reciclagem. O universo mapeado reúne cerca de 72,4 mil trabalhadores em todas as regiões do país.
Os dados fazem parte do Anuário da Reciclagem 2025, produzido pelo Instituto Caminhos Sustentáveis e patrocinado pelo Sebrae e pelo Sistema OCB. Entre 2019 e 2024, o número de organizações identificadas cresceu 69%, enquanto o volume recuperado avançou 89%. No mesmo período, o faturamento passou de R$664,8 milhões para R$2,03 bilhões, alta real acumulada de 273%.
A dimensão ambiental ajuda a mostrar o valor que passa por essa cadeia. As cerca de 2 milhões de toneladas recuperadas em 2024 representaram uma redução potencial de 1,81 milhão de toneladas de dióxido de carbono equivalente (CO₂e), além de diminuir a necessidade de extração de matérias-primas para a fabricação de novos produtos.
Inadimplência preocupa sistema financeiro e desafia cooperativas em momento de expansão
A inadimplência ganhou espaço entre as principais preocupações das instituições que integram o Sistema Financeiro Nacional (SFN). Na Pesquisa de Estabilidade Financeira do terceiro trimestre de 2026, divulgada pelo Banco Central, 26% dos participantes apontaram “inadimplência e atividade” como o risco mais importante para os próximos três anos, acima dos 21% registrados em maio. O tema ficou atrás apenas dos riscos fiscais, mencionados por 34% dos respondentes.
O avanço ocorre em um ambiente marcado pelo alto endividamento de famílias e empresas e pela manutenção de taxas de juros elevadas. Quando as instituições puderam indicar três riscos, e não apenas o principal, inadimplência e atividade passaram a liderar as citações, superando questões fiscais e o cenário internacional. Para o Banco Central, os resultados indicam um acúmulo de preocupações relacionadas à estabilidade financeira, embora a confiança no SFN permaneça elevada.
A pesquisa reúne a percepção de bancos, cooperativas, instituições de pagamento, gestoras, seguradoras e entidades de previdência complementar. A participação do segmento, porém, coloca o cooperativismo dentro de uma discussão que ganha importância à medida que sua presença no sistema financeiro brasileiro aumenta.
Como cooperativas transformam dados em valor e fortalecem a experiência dos cooperados
A transformação digital está redefinindo a forma como as cooperativas se relacionam com seus associados. Em um ambiente marcado pela multiplicação dos canais de atendimento, pelo aumento da concorrência e pelo crescimento do volume de informações disponíveis, conhecer melhor o cooperado deixou de ser apenas uma vantagem e passou a ser uma necessidade estratégica para fortalecer vínculos, ampliar o engajamento e gerar valor.
Em um cenário onde a personalização dita cada vez mais os negócios, a inteligência de dados ganha protagonismo. Além do simples armazenamento de informações, as cooperativas precisam transformar conhecimento em ações capazes de antecipar necessidades, personalizar experiências e apoiar decisões mais assertivas. O desafio é avançar nessa jornada sem perder características que diferenciam o modelo cooperativista, como proximidade, confiança e participação.
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