Secas prolongadas, enchentes e ondas de calor deixaram de ser apenas eventos ambientais para se tornarem fatores com impacto direto sobre a sustentabilidade financeira do agronegócio. Para cooperativas agropecuárias e instituições financeiras ligadas ao setor, o desafio passa a ser identificar como esses eventos afetam a produção, a renda dos cooperados e, consequentemente, a capacidade de pagamento das operações.
Nesse contexto, a ESGreen desenvolveu o IRC-ESGreen (Índice de Risco Climático), plataforma que combina inteligência artificial, geointeligência e modelos preditivos para transformar dados climáticos, territoriais e produtivos em indicadores voltados à análise de crédito, monitoramento de carteiras e avaliação de ativos rurais.
Segundo Mauricio Rodrigues, CEO da ESGreen, a proposta é superar a lógica baseada apenas em informações históricas. “Grande parte das análises disponíveis hoje ajuda a compreender o que já aconteceu. O IRC-ESGreen foi desenvolvido para ir além da leitura histórica, utilizando inteligência climática e modelagem preditiva para estimar como eventos extremos e mudanças nas condições climáticas podem impactar propriedades, culturas agrícolas e carteiras financeiras nos próximos ciclos produtivos”, aponta.
Um projeto-piloto realizado em mais de mil propriedades da Região Sul reforça a relevância do tema. O levantamento identificou algum grau de exposição a eventos climáticos extremos em 94,3% dos ativos analisados nos dois anos anteriores, evidenciando uma vulnerabilidade que muitas vezes não aparece nos modelos convencionais de avaliação.
Tecnologia aplicada à gestão de risco
A construção da plataforma passou pelos programas NVIDIA Inception e NVIDIA Innovation Lab, onde a solução foi validada em um ambiente voltado a projetos de inteligência artificial de alta complexidade. A infraestrutura foi desenvolvida considerando características produtivas, climáticas e territoriais da América Latina.
“Estamos falando de uma tecnologia desenvolvida no Brasil e conectada à realidade das nossas instituições, das nossas culturas e dos nossos territórios. O apoio de parceiros globais de tecnologia nos permite combinar infraestrutura de alto desempenho com conhecimento local e aplicação prática”, afirma Rodrigues.
Na prática, a ferramenta cruza informações sobre culturas agrícolas, histórico produtivo, características geográficas e projeções climáticas para apoiar processos de concessão de crédito, seguros e monitoramento de riscos.
“Quando uma instituição concede crédito para uma atividade ligada ao agronegócio, ela não está exposta apenas ao risco financeiro tradicional. Existe uma camada de risco climático que pode afetar diretamente a produção, a renda e a capacidade de pagamento dos tomadores”, explica o executivo. “O que fizemos foi transformar esse risco em uma variável objetiva, mensurável e utilizável na tomada de decisão.”
Para cooperativas agropecuárias, a aplicação pode representar uma nova camada de inteligência na gestão das carteiras e no acompanhamento dos cooperados. A avaliação da ESGreen é que o risco climático seguirá trajetória semelhante à de outros indicadores já incorporados à governança financeira. “O próximo desafio é incorporar o risco climático com o mesmo nível de atenção aos processos de decisão. É essa infraestrutura de inteligência que estamos construindo para a América Latina”, conclui.












