Nunca se viveu tanto e nunca houve tanta gente disposta a seguir ativa, produtiva e empreendendo depois da aposentadoria. A longevidade deixou de ser um dado demográfico e passou a ocupar papel central nas discussões sobre economia, trabalho e geração de renda. A economia prateada se consolida como uma das forças mais relevantes do presente e, sobretudo, do futuro.
No Brasil, mais de 4,3 milhões de pessoas acima dos 60 anos estão à frente de seus próprios negócios, segundo dados do Sebrae. O número representa um crescimento superior a 50% na última década e evidencia uma mudança estrutural: a aposentadoria tradicional, baseada apenas na previdência, já não responde às demandas de uma vida mais longa, marcada pelo aumento dos custos com saúde, pelo desejo de autonomia e pela busca por propósito.
O aumento do número de empreendedores acima dos 60 anos revela uma transformação concreta na forma como o trabalho e a aposentadoria são compreendidos no país. Seguir economicamente ativo passa a ser, para muitos, uma escolha consciente.
Mas empreender depois dos 50, 60 ou 70 anos não depende apenas de iniciativa individual. Exige apoio, ambientes econômicos mais inclusivos, modelos que valorizem experiência e estruturas capazes de oferecer segurança, planejamento e visão de longo prazo. Neste sentido, o cooperativismo se destaca como motor propulsor desse segmento.
Ao operar sob uma lógica de cooperação, pertencimento e permanência — e não apenas de produto e curto prazo — o cooperativismo cria condições mais favoráveis para trajetórias profissionais longas. Para quem empreende em idade madura, esse modelo representa estabilidade, apoio coletivo e maior capacidade de atravessar diferentes fases da vida produtiva.
Experiência que vira negócio e permanece no tempo
Essa realidade se reflete na trajetória do dentista Ricardo Lebarbenchon, 62 anos, empreendedor há quase três décadas em Florianópolis. Formado pela UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina), com especialização em ortodontia realizada em Buenos Aires, Ricardo construiu sua carreira combinando prática clínica, gestão e atualização constante.
“Eu sigo empreendendo há praticamente 30 anos, sempre motivado pelo amor à profissão e pela busca permanente por conhecimento”, conta. Mesmo após décadas de atuação, ele segue investindo em novas tecnologias e formações. “Em cursos recentes, muitas vezes eu era mais velho que o próprio professor, mas isso nunca foi um impeditivo. Pelo contrário.”
Para Ricardo, a longevidade profissional está diretamente ligada à ética, ao aprendizado contínuo e à capacidade de ajustar o ritmo de trabalho. “Com o tempo, você aprende a cadenciar. Continua trabalhando, mas também cria espaço para outras dimensões da vida. A ideia é seguir atuando até pelo menos os 70 anos, com equilíbrio.”
Mas, para que esse plano seja viável, ele percebeu que não bastava pensar apenas na carreira, era preciso estruturar também a longevidade financeira. Cooperado da Unicred há 25 anos, ele conta que foi dentro da cooperativa que passou a olhar com mais atenção para esse planejamento. “A cooperativa me mostrou que, para seguir empreendendo com tranquilidade por mais tempo, eu precisava me preparar desde já. Por isso optei pela previdência privada e organizei meu futuro com mais segurança.”
Planejamento, autonomia e protagonismo na longevidade
Com o avanço do envelhecimento ativo e da permanência no trabalho, a Quanta Previdência surge como uma das instituições que estruturam, na prática, o crescimento da economia prateada no país. Para Denise Maidanchen, CEO da empresa e autora do livro “Economia Prateada: o poder da longevidade no mundo dos negócios”, o empreendedorismo sênior é resultado direto de uma nova forma de encarar a longevidade.
“Aposentar-se não deveria significar parar, mas escolher novos caminhos com mais consciência, liberdade e propósito”, afirma. Segundo Denise, a economia prateada abrange muito além de produtos voltados ao público maduro. “Envolve novos modelos de negócios, educação continuada, bem-estar e, principalmente, oportunidades reais de trabalho e renda para quem já acumulou algo valioso: experiência de vida.”
Denise, no entanto, faz um alerta: a longevidade sem planejamento cobra um preço alto. “Empreender depois dos 60 pode ser libertador, mas exige preparo, adaptação ao mundo digital e escolhas alinhadas à realidade dessa fase da vida. Pensar o envelhecimento de forma integral — financeira, física, intelectual e social — é indispensável.”
Outro ponto de atenção é o avanço da chamada quarta idade, formada por pessoas com mais de 80 anos, a faixa etária que mais cresce no país. “Esse dado reforça que discutir renda, autonomia e negócios não é pauta apenas de hoje, mas de todas as gerações que estão envelhecendo”, ressalta a especialista.
Ao atuar com base no cooperativismo, a Quanta fortalece trajetórias profissionais mais longas, oferecendo planejamento, segurança e autonomia financeira para diferentes fases da vida. Em um país que envelhece rapidamente, valorizar o aposentado como protagonista — seja como empreendedor, profissional experiente ou investidor consciente — deixa de ser escolha e passa a ser estratégia econômica e social.
Etarismo: por que a diversidade de gerações impulsiona negócios
Enquanto a longevidade amplia o tempo de vida produtiva, o etarismo segue como um dos principais entraves à plena integração dos profissionais maduros no mercado de trabalho. Pesquisa da EY Brasil em parceria com a Maturi (2022) mostra que 91% dos brasileiros acreditam que pessoas acima dos 50 anos enfrentam barreiras para se recolocar, enquanto 60% das empresas reconhecem dificuldades em contratar esse público. O problema não é apenas social: é organizacional e estratégico.
Para Silvana Parisotto Agostini, diretora de Sustentabilidade e Supervisão da Unicred, o etarismo deve ser tratado como tema de gestão. “Quando a idade vira critério de exclusão, as organizações desperdiçam experiência, memória institucional e capacidade de tomada de decisão”, avalia. A resistência, muitas vezes concentrada nas lideranças, afeta produtividade, cultura interna e até a saúde mental dos profissionais — estudo da Universidade de Yale identificou impactos negativos do etarismo em 96% dos casos analisados.
Na prática, a presença de diferentes gerações no ambiente corporativo amplia repertórios, fortalece processos decisórios e contribui para a continuidade das organizações. A valorização de profissionais mais experientes permite a retenção de conhecimento e a integração entre vivência e inovação, dinâmica que se conecta diretamente à economia prateada e ao avanço de modelos de negócio baseados em longevidade, cooperação e visão de longo prazo.
A economia prateada não é uma tendência passageira. É uma realidade em expansão. E o cooperativismo, ao reconhecer o valor da experiência e da longevidade, mostra que o futuro do empreendedorismo pode — e deve — ser mais inclusivo, sustentável e humano.












