Em um cenário marcado por juros elevados, aumento do endividamento e liquidez mais apertada no campo, as cooperativas de crédito estão reforçando uma estratégia tradicional do cooperativismo: a proximidade com o produtor rural. A palavra de ordem é cautela, mas sem retração. A meta é sustentar o ritmo de concessões de crédito ao mesmo tempo em que se intensifica a orientação financeira para atravessar um período de maior pressão.
Durante a Show Rural Coopavel, realizada em Cascavel (PR), dirigentes de Sicoob, Sicredi e Cresol destacaram que a inadimplência cresceu no crédito rural, mas permanece sob controle. O avanço é visto como reflexo direto do ambiente macroeconômico e do maior custo do dinheiro, e não como um descompasso estrutural do setor agropecuário.
No Sicoob, a expectativa é liberar R$ 60 bilhões no ano-safra 2025/26. Até o momento, cerca de R$ 40 bilhões já foram concedidos, com participação relevante das linhas do Pronamp e do Pronaf, além de crédito destinado a grandes produtores. A inadimplência da carteira rural subiu de 0,48% para 1,65%, movimento considerado administrável diante do histórico recente e do crescimento da carteira. A instituição aposta na capilaridade — com a maior rede de postos de atendimento físicos do país — como diferencial para manter o relacionamento próximo e o conhecimento da realidade local.
Na Cresol, a projeção é encerrar a safra com volume entre R$ 17 bilhões e R$ 18 bilhões liberados. Até agora, aproximadamente R$ 10 bilhões foram operacionalizados, com predominância de crédito subsidiado. A inadimplência oscila entre 1,5% e 2%, acima da média histórica, mas dentro de um patamar considerado sustentável. A estratégia é intensificar o acompanhamento e atuar como consultora financeira do produtor, sobretudo em regiões que enfrentaram dificuldades climáticas e de renda nos últimos anos.
Já o Sicredi projeta liberar R$ 59,1 bilhões na atual safra. Até dezembro, haviam sido concedidos R$ 39,8 bilhões. A instituição observa mudança no mix de recursos, com aumento da participação das linhas livres em relação às subsidiadas. A inadimplência da carteira agro está em 3,86%, praticamente o dobro do registrado há três anos, quando girava abaixo de 2%. Para a cooperativa, o movimento reflete um “novo normal” da economia brasileira, marcado por maior endividamento e juros mais altos.
Apesar do ambiente mais desafiador, as cooperativas mantêm avaliação positiva sobre a demanda por crédito e a capacidade de pagamento no médio prazo. A combinação de produtividade consistente no campo e acompanhamento próximo das operações é vista como chave para equilibrar expansão e prudência. Em tempos de maior incerteza, o “olho no olho” volta a ganhar protagonismo como ferramenta de gestão de risco e fidelização no crédito rural.
Elaborado por Redação MundoCoop












