Segundo estudos da McKinsey, organizações com forte dependência de planilhas, e-mails e fluxos manuais podem perder entre 20% e 30% de sua produtividade. No cooperativismo brasileiro, essa realidade ainda é presente e ganha contornos estratégicos em um ambiente marcado por maior complexidade regulatória, cooperados mais exigentes e pressão por eficiência sem aumento proporcional de estruturas.

Nesse cenário, produtividade deixa de ser apenas um tema operacional e passa a ser um ativo essencial para competitividade, sustentabilidade financeira e geração de valor. Segundo Rodrigo Junqueira, CEO da Nexum Tecnologia, insistir em crescimento baseado apenas em mais esforço humano deixou de ser viável.
“A produtividade inteligente tornou-se estratégica para o cooperativismo porque o setor passou a operar sob uma combinação inédita de pressões: maior exigência por rapidez e consistência no atendimento, aumento da complexidade regulatória e necessidade permanente de controle de riscos, tudo isso sem a possibilidade de simplesmente ampliar estruturas ou equipes”, afirma.
Processos fragmentados, retrabalho recorrente e múltiplas versões de informação reduzem margem, atrasam decisões e impactam diretamente a experiência do cooperado, especialmente em jornadas críticas como crédito, atendimento e cobrança.
Do custo invisível à orquestração inteligente dos processos
O uso excessivo de controles paralelos cria gargalos silenciosos. “Em muitas cooperativas, ainda vemos planilhas e e-mails deixando de ser “apoio” e virando o processo: sem dono, sem versão única e sem trilha de auditoria. O problema raramente é a ferramenta em si; é a falta de governança do fluxo de trabalho”, aponta Junqueira.
Na prática, isso se traduz em dupla digitação, reconciliações constantes, filas internas e decisões baseadas em dados defasados, consumindo tempo e elevando riscos operacionais. Automatizar sem método, nesse contexto, apenas acelera erros e amplia a complexidade.
A resposta está na automação cocriada com o setor, respeitando cultura, governança e modelo cooperativista. “O foco sai de substituir pessoas e vai para reduzir atrito, erro e fila, preservando o atendimento humano onde ele é insubstituível”, explica o CEO.
Tecnologias integradas como CRM, BPMS e RPA permitem orquestrar processos ponta a ponta, com controle, rastreabilidade e indicadores claros. Mais do que adotar ferramentas, trata-se de transformar tecnologia em rotina de gestão. Para a alta liderança, o sucesso dessa transformação depende de mensuração.
“Governança não começa na auditoria; começa no processo e aparece na rotina”, afirma Junqueira. Quando a produtividade é traduzida em ROI, redução de riscos regulatórios e melhoria consistente da experiência do cooperado e do colaborador, a transformação deixa de ser projeto e passa a ser parte da estratégia. “Crescimento sem método não é ousadia. É risco”, completa.












