Ninguém ficou ileso

Ninguém ficou ileso

O mundo já convive com a pandemia há cerca de um ano. Isso tem mexido com a vida das pessoas, mudou hábitos, criou diferentes tipos de laços, alguns nós, isolou pessoas e aproximou outras tantas por meios virtuais. A chegada da Covid-19 fez um reboliço no cotidiano e na cabeça de crianças, jovens, adultos e idosos, provocou sofrimento, receios e reflexões sobre o presente, mas sobretudo a respeito do futuro. De acordo com o psicólogo gaúcho Fabiano Cunha Raupp, ninguém ficou ileso de tudo o que aconteceu neste último ano. “Todos fomos obrigados a repensar a própria vida durante a pandemia e, inevitavelmente, em muitos momentos, foi preciso olhar para frente, mesmo diante das diversas sensações de desconforto vivenciadas e de tantas incertezas, para tentar lançar luz sobre um futuro próximo”.

O co-fundador da Fênix Training, especialista em soluções para o desenvolvimento humano e organizacional, focado na gestão comportamental, destaca ainda que a pandemia trouxe como temor maior a preocupação com a saúde, mas também surgiram outras situações resultantes do enfrentamento do novo coronavírus que pegaram a maioria das pessoas despreparadas e as impactaram profundamente. Entre elas salienta-se a questão financeira, a instabilidade do mercado de trabalho, os planos e a visão do dia de amanhã. “Além disso, a Covid-19 e seus riscos fizeram muitas pessoas passarem a reconhecer coisas que talvez antes não fossem vistas como algo importante no dia a dia, ou provavelmente nem percebiam o devido valor. Isso envolve o convívio com os colegas de trabalho ou o fato de poder sair na rua para dar um passeio, abraçar pessoas queridas, visitar parentes e amigos, ou simplesmente fazer o que se quer na hora desejada (e sem máscara). Acredito que a perspectiva sobre as coisas mudou”.

Em relação à chamada e esperada “nova normalidade”, o psicólogo acredita que as pessoas tendem a mudar especialmente a atitude diante do futuro e da preparação para o dia de amanhã. “Sem dúvida alguma a pandemia gerou uma grande sensibilização e muitos devem mudar a forma de pensar e de agir daqui para frente. Pessoas mais conscienciosas e abertas às mudanças terão mais facilidade para viver em um mundo que se mostra cada vez mais Frágil, Ansioso, Não Linear e Incompreensível, o chamado BANI, termo acrônimo das palavras em inglês Brittle, Anxious, Nonlinear and Incomprehensible”.

Muitas mudanças já estão ocorrendo em várias dimensões, como por exemplo no ambiente de trabalho. Para se ter ideia, pesquisa realizada junto a 1.400 participantes, apresentada na edição de dezembro de 2020 da Technology Review Brasil, com a chancela do MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts), apontou que 93,5% dos participantes querem manter pelo menos um dia na semana em formato de home office, alegando que podem conciliar suas atribuições pessoais e profissionais em casa.  Quase 10% deles não querem mais voltar para o escritório, porque o escritório do ‘novo normal’ não será igual ao que conheciam. Assim, muitas organizações estão reavaliando sobre a necessidade de manter grandes estruturas físicas.

Diante desse quadro, Fabiano Cunha Raupp acrescenta que o novo normal está muito ligado ao reconhecimento de que é preciso ficar atento e aberto a possíveis transformações. “Mesmo que isso não seja algo muito agradável ou fácil, é preciso olhar para frente de forma positiva. É essencial buscar uma adaptação de forma leve ao que a vida oferece, para que seja possível manter à nossa vista tudo aquilo que temos de mais valioso, mesmo diante das adversidades”.


Por Quanta Previdência

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